Morango cravejado faz sucesso no delivery e pedidos crescem mais de 105.200% em 11 dias

Morango cravejado faz sucesso no delivery e pedidos crescem mais de 105.200% em 11 dias

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 28/09/2026 às 15:28

O morango cravejado levou apenas 11 dias para sair das redes sociais e chegar com força aos aplicativos de entrega. Entre 20 e 30 de agosto, os pedidos do doce no iFood aumentaram 105.200%, segundo dados da plataforma divulgados pela Exame. Isso significa que o volume de pedidos ficou 1.053 vezes maior no período, em um movimento que colocou a sobremesa entre as novidades de maior velocidade de crescimento no mercado de confeitaria.

A popularização também apareceu nas buscas e nas redes sociais. Dados reunidos pela Folha de S.Paulo indicaram aumento de 1.460% nas pesquisas por “morango cravejado” no Google em apenas sete dias. No TikTok, a hashtag relacionada ao doce já somava mais de 5 mil vídeos, enquanto o Instagram reunia 23 mil publicações. A receita combina morango fresco, brigadeiro branco, chocolate e pedaços de caramelo vermelho, mas o aspecto visual do produto ajudou a impulsionar sua circulação em vídeos curtos e fotografias.

São Paulo respondeu por cerca de 40% das compras registradas pelo iFood, seguida pelo Paraná, com 10%, e por Santa Catarina e Minas Gerais, com 8% cada. O avanço também chegou ao interior. No aiqfome, o produto não tinha registros de pedidos em julho e alcançou 2.495 em agosto, crescimento de 2.836,84%. Em 1º de setembro, 120 estabelecimentos ativos na plataforma ainda ofereciam o doce.

Para Felipe Noronha, CEO e sócio da Doce Magia, rede de confeitaria artesanal com mais de 30 anos e sete unidades próprias, a velocidade do fenômeno pode representar uma oportunidade, mas exige cuidado na hora de aumentar a produção. “Quando uma tendência cresce dessa forma, existe uma pressão natural para colocá-la rapidamente na vitrine. O cuidado é não confundir muita atenção nas redes com uma demanda que permanecerá no mesmo ritmo”, afirma. Segundo ele, custos, disponibilidade de ingredientes, capacidade de venda e estrutura operacional devem ser considerados antes de uma expansão.

O cenário lembra o que ocorreu com o morango do amor em 2025. Entre junho e julho daquele ano, os pedidos no iFood saltaram de 11 mil para 275 mil, crescimento superior a 2.300%, enquanto o número de estabelecimentos que ofereciam o produto passou de 830 para mais de 10,3 mil. Para evitar que um novo fenômeno provoque estoques excessivos, pequenos negócios podem começar com lotes reduzidos, ficha técnica definida e acompanhamento diário das vendas. O Sebrae recomenda registrar quantidade, custo unitário e valor total dos produtos armazenados, além de acompanhar entradas e saídas para medir o giro.

A gestão dos fornecedores também ganha importância quando a procura cresce rapidamente, principalmente porque confeitarias trabalham com ingredientes perecíveis. Compras e produção em ciclos menores podem reduzir o risco de sobras enquanto a demanda ainda é avaliada. “O empreendedor precisa olhar três números todos os dias: quanto vendeu, quanto sobrou e quanto custará produzir novamente. É isso que mostra se existe espaço para escalar”, diz Noronha.

A velocidade de crescimento, porém, não garante que o produto permanecerá no cardápio. O estudo Tendências do Food Service, realizado pela WGSN em parceria com o iFood Move, classifica esse comportamento dentro da chamada “Cultura dos Virais”. Segundo o levantamento, 35% dos usuários do aplicativo apontam a curiosidade pelo sabor como principal motivo para experimentar alimentos que ganharam repercussão nas redes sociais. Para Noronha, acompanhar a evolução dos pedidos depois do pico inicial é fundamental para decidir se a novidade deve continuar sendo produzida. “Entrar em uma tendência pode trazer novos consumidores e aumentar o movimento, mas o empreendedor precisa saber por que aquele item está no cardápio e qual é o limite da aposta. A rede social pode acelerar a demanda, mas quem determina se o produto faz sentido para o negócio são os números da operação”, conclui.

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