Citada por jornal britânico, ilha paradisíaca na Bahia se prepara para receber número recorde de turistas

Citada por jornal britânico, ilha paradisíaca na Bahia se prepara para receber número recorde de turistas

Redação Alô Alô Bahia

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Kirk Moreno para o Alô Alô Bahia

Bruno Arndt

Publicado em 21/09/2026 às 20:53

A Ilha de Boipeba, no Baixo Sul da Bahia, tem se preparado para receber um número recorde de turistas em 2026. De acordo com a Associação Comercial e Empresarial de Boipeba (ASCOEB), a expectativa é que o destino receba cerca de 100 mil visitantes até dezembro, um aumento de aproximadamente 33% em relação ao ano passado, quando foram registrados cerca de 75 mil turistas. A estimativa é baseada em informações da Secretaria de Turismo da Bahia (Setur), coletadas junto a pousadas e empresas de transporte, sem contabilizar os imóveis anunciados por plataformas como o Airbnb.

O crescimento da procura pelo destino está relacionado ao interesse de visitantes por experiências ligadas à natureza, ao ecoturismo e ao descanso. Boipeba integra a Costa do Dendê e está localizada em Cairu, município-arquipélago formado por cerca de 26 ilhas. Com aproximadamente quatro mil habitantes e cerca de 80 km² de extensão — área equivalente a cerca de três vezes a de Fernando de Noronha —, a ilha reúne quatro comunidades: Velha Boipeba, principal núcleo urbano, Moreré, Cova da Onça e Monte Alegre.

A ilha de Boipeba reúne as comunidades Velha Boipeba, Moreré, Cova da Onça e Monte Alegre (Foto: Divulgação/Cairu).

A ilha se destaca pela preservação de sua paisagem. Boipeba cresceu durante o período colonial, em meio aos conflitos entre colonizadores e povos indígenas, e mantém comunidades de pescadores, áreas de Mata Atlântica, manguezais e praias preservadas. O local integra a Área de Proteção Ambiental das Ilhas de Tinharé e Boipeba e está inserido na região abrangida pela Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO.

Em Boipeba, parece que o relógio corre em outro ritmo. Não há buzinas, asfalto ou trânsito de carros. Os motores que se ouvem são, principalmente, os de barcos e quadriciclos, mas são o som do mar e dos pássaros, o balanço dos coqueiros e as passagens de areia que predominam na paisagem. Pela ilha, os deslocamentos são feitos a pé, de bicicleta, trator ou quadriciclo. Não por acaso, Boipeba foi destacada pelo jornal britânico The Times, em 2011, como um dos destinos paradisíacos do Brasil que merece ser descoberto.

Pela ilha, os deslocamentos são feitos a pé, de bicicleta, trator ou quadriciclo.

Boipeba é frequentemente chamada de o paraíso baiano onde o tempo parou”, afirma Rodrigo Lima Ferreira, presidente da ASCOEB.

Organização e estrutura
Para receber o aumento no fluxo turístico, intervenções estão em andamento, como a ampliação do cais de Velha Boipeba. Segundo informações do secretário de Infraestrutura de Cairu, Maurício Sena, a obra tem investimento de R$ 1,18 milhão, custeado integralmente com recursos próprios, e previsão de funcionamento até o final de dezembro de 2026. O projeto contempla a ampliação da ponte e do píer, além da construção de uma sala de receptivo com banheiros, lanchonetes e serviço de atendimento ao turista.

Atualmente, Boipeba conta com cerca de 2 mil leitos ativos para hospedagem. Segundo a ASCOEB, não houve variação significativa nesse número nos últimos quatro anos, embora tenha ocorrido aumento na oferta de imóveis por meio do Airbnb, modalidade que não está incluída no levantamento de leitos. A associação reúne atualmente 36 empreendimentos, entre pousadas, agências e restaurantes, sendo cerca de 90% deles localizados em Velha Boipeba e 10% em Moreré.

Atualmente, Boipeba conta com cerca de 2 mil leitos ativos para hospedagem.

Nos últimos quatro anos, Boipeba vem conseguindo se organizar de forma muito positiva. Nossos passeios de lancha, UTV e quadriciclo, por exemplo, são tabelados, evitando distorções de preços para o mesmo serviço e garantindo ao turista segurança e transparência”, afirma Gleide Laugier, diretora de Comunicação da associação. Ela também destaca uma nova ligação marítima direta entre Salvador e Boipeba, com duração aproximada de duas horas, além do treinamento de equipes de restaurantes e da proibição da circulação de quadriciclos turísticos pelas praias e pela vila, como medidas voltadas à organização dos serviços e à preservação do sossego.

Na Praia da Boca da Barra, a associação também implantou estruturas para a prática de esportes, com redes de vôlei de praia, futevôlei e beach tennis. A quadra de beach tennis conta com iluminação noturna. O uso é gratuito.

A ilha se destaca pela preservação de sua paisagem.

Boipeba se uniu a vizinha Morro de São Paulo, que também pertence a Cairu, para uma nova estratégia de promoção e comercialização turística. A Associação Comercial e Empresarial de Cairu (ACEC) lançou uma marca que passa a divulgar os dois destinos de forma integrada, além de um portal de vendas criado para aproximar empreendimentos locais de agências e operadores turísticos. A iniciativa reúne hospedagens, experiências e serviços em um mesmo ambiente, com recursos para consulta de disponibilidade, preços e regras comerciais, além de uma ferramenta de Inteligência Artificial voltada à criação de roteiros personalizados.

Nosso objetivo é garantir que o crescimento turístico ocorra sem descaracterizar aquilo que torna Boipeba única: sua tranquilidade, seu ritmo desacelerado e seu ecossistema preservado. Os associados trabalham de forma conjunta, como parceiros, para que o turismo esteja presente nas quatro comunidades, e não apenas na vila principal”, completa Rodrigo.

Festival de Primavera
O crescimento da procura chega em um momento de ampliação do calendário de eventos do destino. Entre 30 de outubro e 1º de novembro, Boipeba sediará a primeira edição do Festival de Primavera. Entre as atrações confirmadas estão Geraldo Azevedo e Maria Gadú. Para a temporada de verão, entre o Réveillon e o fim de março, a expectativa é receber aproximadamente 25 mil visitantes.

Boipeba foi destaque em jornal britânico.

 

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