Seis meses depois de deixar o Rio de Janeiro, Bella Moura passou a construir uma nova rotina em Lviv, no oeste da Ucrânia, enquanto o país segue em guerra com a Rússia. Filha do ex-jogador Léo Moura, a estudante se casou em maio com Isaque Silva, atleta do Shakhtar Donetsk, e contou em entrevista ao jornal Extra que, apesar da normalidade do cotidiano, a proximidade do conflito faz com que a possibilidade de ataques esteja sempre presente.
“Sobre viver aqui durante a guerra, acho que é difícil explicar como é. Mesmo não estando no epicentro, você sabe que a guerra está acontecendo e que podem acontecer ataques. Semana passada, por exemplo, foi bem assustador. Ao mesmo tempo, a vida continua normalmente: as pessoas trabalham, estudam, saem… E a gente tenta não viver com medo o tempo inteiro”, afirmou Bella, ao se referir a um dos ataques russos mais violentos dos últimos meses, que deixou 16 mortos e pelo menos 130 feridos.
A distância também aumenta a preocupação da família no Brasil. Segundo a jovem, Léo Moura e a mãe, Camilla Moura, acompanham as notícias com apreensão sempre que há relatos de novos ataques. “Para eles é ainda mais difícil. Por mais que eu tente tranquilizá-los e mostrar que estou bem, eles estão longe e qualquer notícia de ataque gera preocupação. Acho que uma das partes mais difíceis para os meus pais é justamente não poder estar aqui comigo e, simplesmente, me proteger”, relatou ao Extra.
Na Ucrânia, Bella divide o dia entre os cuidados com a casa, a academia, os estudos e momentos ao lado do marido. Em breve, ela pretende começar a faculdade de Medicina. A mudança, segundo ela, também representou uma transição pessoal, depois de sair da casa dos pais para iniciar uma vida com Isaque. “Saí do Rio, morando com meus pais, para construir minha própria casa e rotina com meu marido. É uma responsabilidade nova, mas também é muito gostoso. E temos muita ajuda dos tios dele, que facilitam bastante nossa vida aqui e também fazem companhia, então não sentimos que estamos completamente sozinhos”, contou.
As maiores dificuldades práticas aparecem nas viagens para fora e para dentro da Ucrânia. Bella explica que, em muitos casos, o deslocamento envolve a fronteira com a Polônia, o que torna o percurso longo e imprevisível. “Dependendo do movimento, podemos ficar horas esperando na fronteira, além de todo o planejamento com documentos, transporte e horários. Depois de algumas viagens, a gente aprende a se organizar melhor, mas ainda é bem desgastante”, disse.
Longe do Brasil, ela também sente falta da família, dos amigos e da rotina carioca. “Sinto falta de muita coisa! Principalmente da minha família, dos amigos, do Rio, do calor, da praia e, claro, da comida brasileira. Acho que só quem mora fora entende como algumas coisas simples, que antes pareciam normais, começam a fazer muita falta”, afirmou ao Extra.