A semelhança física com um dos atacantes mais conhecidos do país rendeu a Jeferson Thiago uma transformação financeira radical. Em reportagem especial publicada pelo g1, o “Gabigol da Torcida” detalhou o impacto de ter abandonado a segurança da carteira assinada para apostar exclusivamente na carreira de dublê, chegando a embolsar em um único dia o equivalente a meses de seu antigo trabalho.
O divisor de águas aconteceu após uma longa trajetória no mercado tradicional, que incluiu quatro anos na Aeronáutica e 12 anos como funcionário de uma empresa multinacional. No começo da fama, Jeferson tentou manter a dupla jornada, mas o volume de compromissos como sósia exigiu exclusividade.
A escolha foi impulsionada pelos números. Enquanto seu salário no regime CLT variava entre R$ 3,5 mil e R$ 3,8 mil mensais, a nova profissão apresentou uma realidade bem diferente. O sósia relatou que, apenas em um trabalho realizado na cidade de São Paulo, faturou um cachê de R$ 25 mil.
A figura do dublê nasceu por acaso em abril de 2019, durante uma goleada do Flamengo contra o San José (Bolívia), no Maracanã. Descoberto na arquibancada, ele foi cercado para fotos e entrevistas, viralizando inicialmente sob o apelido de “Gabigordo”, termo que ele rebate com bom humor, brincando que a culpa é da câmera. Ao aperfeiçoar o visual, fixou-se com a marca atual.
Apesar dos altos cachês, o mercado de sósias sofreu flutuações recentes. O faturamento diluiu-se com o aumento expressivo de profissionais no setor e com a atual fase da carreira do jogador original.
Com a saída do Flamengo e a transferência para o Santos, o atacante vive um momento de menor prestígio esportivo, refletindo diretamente na demanda por seu sósia.
Entendendo a volatilidade da fama, Jeferson usou os ganhos para diversificar sua fonte de renda. Além de continuar faturando como influenciador e marcando presença em eventos corporativos e festas infantis, ele investiu na abertura de uma loja física de móveis e eletrodomésticos.
Hoje, ele conta com funcionários administrando o comércio enquanto segue viajando pelo país para cumprir a agenda artística. A rotina como empresário, inclusive, rende situações inusitadas quando ele vai pessoalmente às fábricas para buscar estoque.
Segundo Jeferson, é comum ouvir piadas dos trabalhadores locais brincando que, após sair do Flamengo, o ídolo acabou virando entregador.
