O julgamento pela morte de Diego Maradona voltou a ser cercado por um novo escândalo na Argentina. O processo foi adiado nesta quinta-feira (20) após surgir a suspeita de que exames médicos usados nas perícias do caso poderiam pertencer, na verdade, ao pai do ex-jogador.
Sete profissionais de saúde são acusados de homicídio com dolo eventual, sob a acusação de negligência médica na morte do ídolo argentino. Segundo a acusação, eles tinham consciência de que suas ações ou omissões poderiam contribuir para a morte de Maradona. Um relatório médico independente divulgado em 2021 concluiu que o ex-jogador morreu “abandonado à própria sorte”.
A dúvida sobre os documentos surgiu durante uma audiência na terça-feira (18), quando advogados dos réus apontaram inconsistências em exames renais atribuídos a Maradona. Segundo o jornal argentino Clarín, os documentos apresentam um número de associado diferente daquele registrado no histórico clínico do ex-jogador, levantando a possibilidade de que ao menos parte deles pertença a Diego “Chitoro” Maradona, pai do astro, morto em 2015.
Diante da suspeita, o tribunal suspendeu o julgamento até 27 de agosto e determinou a apreensão dos exames em uma clínica e na empresa de saúde privada que atendia Maradona. O Ministério Público pediu buscas na empresa Swiss Medical e na clínica Los Arcos para verificar a autenticidade e a validade dos documentos.
Ao todo, 19 exames renais foram analisados pelos peritos. Os resultados ajudaram a compor o relatório de uma junta médica que investigou as circunstâncias da morte de Maradona e serviu como uma das bases para a abertura do processo contra os profissionais de saúde.
O tribunal, no entanto, ressaltou que, mesmo se for comprovado que um ou mais documentos não pertenciam ao ex-jogador, isso não significa automaticamente que todo o trabalho da junta médica será invalidado.
Este é o segundo julgamento relacionado à morte de Maradona. O primeiro, realizado em 2025, acabou anulado depois que veio à tona a informação de que uma das juízas participava, sem autorização, da produção de um documentário sobre o caso.