Estreia na TV curta baiano premiado que retrata um amor LGBT+ no cangaço

Estreia na TV curta baiano premiado que retrata um amor LGBT+ no cangaço

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Gabriel Castro

Publicado em 17/08/2026 às 09:56

Vencedor de três prêmios no 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o curta-metragem baiano “Couraça” chega à televisão nesta terça-feira (18), às 20h, com estreia no Canal Brasil. Após a exibição, o filme também ficará disponível no catálogo do Globoplay. A nova etapa da trajetória acompanha ainda a expansão da obra para festivais internacionais.

Codirigido por Susan Kalik e Daniel Arcades, “Couraça” foi o único representante da Bahia na Mostra Competitiva Nacional de Curtas do Festival de Brasília, onde recebeu o Prêmio Canal Brasil de Curtas, o prêmio de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Popular e o Troféu Candango de Melhor Atriz para Laís Machado. O filme também foi semifinalista do Prêmio Grande Otelo e venceu o 8º Cine Tamoio nas categorias Melhor Filme pelo Júri Popular, Melhor Direção de Fotografia, para Claudio Antonio, e Melhor Trilha Sonora, para Jarbas Bittencourt.

Ambientado no sertão após o massacre de Lampião, o filme reinventa o imaginário do cangaço ao acompanhar dois cangaceiros amantes que atravessam a terra seca levando uma mulher grávida de volta à família. Em meio à violência, à aridez e às marcas de um período atravessado pela pólvora e pelo sangue, a narrativa coloca no centro o afeto, o desejo e a resistência de personagens LGBTQIAPN+.

A proposta parte de uma pergunta: e se, entre os grupos de cangaceiros, também existissem histórias de amor entre homens? A partir dessa perspectiva, “Couraça” constrói uma narrativa sobre corpos dissidentes, liberdade e a possibilidade de amar em um ambiente historicamente associado à brutalidade.

“Couraça é sobre como o amor dói no couro, mas também sobre o quanto a gente arrisca amar. O cangaço é um dos elementos simbólicos mais fortes no Nordeste e pensamos numa jornada que revela como mesmo em ambientes hostis para determinados sujeitos, a gente encontra uma forma de viver afetivamente”, afirma Daniel Arcades, que também assina o roteiro e protagoniza o filme.

Para Susan Kalik, a força do curta está na possibilidade de lançar um olhar poético sobre um episódio histórico marcado pela violência. “Pensamos em um filme poético a partir de um evento histórico violento como foi todo o movimento do cangaço. Lançamos um olhar para personagens fictícios, mas que, com certeza, estavam presentes em grupos como o de Lampião. Quando li o roteiro, a primeira coisa que me veio foi como podemos lançar nosso olhar na busca pelo afeto mesmo nas situações mais difíceis da vida”, destaca a diretora.

Filmado em Iaçu, na Chapada Diamantina, “Couraça” tem 19 minutos e marca a estreia de Daniel Arcades na direção de ficção cinematográfica, ao lado da experiência de Susan Kalik, roteirista, diretora e produtora indicada ao Emmy Internacional 2024.

Além da chegada à TV fechada e ao streaming, o curta amplia sua circulação internacional. Em setembro, integra a programação do Inffinito Brazilian Film Festival, em Miami, nos Estados Unidos, e também terá exibições na Argentina e na Itália, além de outros festivais previstos no Brasil e no exterior.

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