Em meio ao movimento da Festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, que começou na última quarta-feira (12) e segue até esta segunda-feira (17), em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, uma baiana de acarajé chama atenção não apenas pelo sabor dos quitutes que prepara, mas também pelo instrumento que carrega consigo. Aos 56 anos, Sueli de Jesus une a tradição familiar do tradicional bolinho de feijão fradinho frito no azeite de dendê à paixão pela música e, entre um atendimento e outro, costuma tocar saxofone em frente ao próprio tabuleiro.
A relação da “Baiana do Sax” com o acarajé começou ainda na infância, quando acompanhava a mãe nas vendas. A tradição, segundo ela, atravessa gerações da família e começou com a bisavó. “Quem veio primeiro foi o acarajé porque minha família toda vende o acarajé. Depois, quando eu estava com 40 e poucos anos, foi que veio a música”, conta.

Sueli ficou conhecida como “Baiana do Sax”.
Antes de se fixar em Cachoeira, ela viajava com a mãe por diferentes estados para trabalhar. Depois que a mãe adoeceu, passou a atuar no atual endereço, na Rua Barão do Rio Branco, nº 1, na esquina com a Rua Treze de Maio, onde também fica a sede da Irmandade da Boa Morte.
Sueli trabalha normalmente às terças, quartas, quintas e sextas-feiras, das 14h30 às 20h, em frente à Sociedade Lítero Musical Minerva Cachoeirana, uma das instituições musicais mais tradicionais do Recôncavo. Fundada em 10 de fevereiro de 1878, a filarmônica conta atualmente com cerca de 55 músicos e mantém atividades de formação musical, além de participar de festas cívicas e religiosas.

Além da música, o tabuleiro também chama atenção pelo sabor do acarajé.
A paixão pelo saxofone surgiu justamente a partir da música da filarmônica. Sueli conta que se encantou com o instrumento durante uma apresentação da Minerva Cachoeirana no aniversário de seu irmão. “O padrinho do meu irmão dava de presente a ele a filarmônica, tocando lá no aniversário dele. Aí eu me encantei pelo sax, onde eu comprei um para aprender”, lembra. Desde então, passou a estudar o instrumento e hoje também integra a filarmônica. “Trabalho no ponto, estou aqui vendendo acarajé e incluindo o sax no local do trabalho”, explica.
No tabuleiro, o saxofone aparece de forma espontânea. Não há horário marcado para a apresentação: ela toca quando o movimento permite e quando sente vontade. “Quando me dá vontade. Aí eu vou e toco”, brinca.

Durante a Festa da Boa Morte, Sueli também trabalha nos final de semana.
E não é apenas o instrumento que conquista a atenção de quem chega. O acarajé de Sueli também tem seus diferenciais, com massa leve e recheio preparado com camarão fresco. Antes de finalizar o pedido, ela costuma perguntar: “Quer com axé ou sem axé?”. Para os clientes da região, “com axé” significa com pimenta. O tabuleiro comercializa também abará, cocada, bolinho do estudante e lelê de milho.
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