Um estudo internacional com participação de pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) estima que mecanismos globais de tributação e redistribuição de recursos poderiam evitar entre 6,6 milhões e 29,5 milhões de mortes até 2030, principalmente em países de baixa e média renda.
O trabalho é liderado pelo professor Davide Rasella, coordenador do grupo Impact Health e pesquisador vinculado ao Instituto de Saúde Coletiva da UFBA (ISC/UFBA), e foi coordenado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal). O artigo foi aceito para publicação na revista científica The Lancet e está disponível em formato de preprint.
Os pesquisadores analisaram dados de 59 países de baixa e média renda entre 2002 e 2021 e desenvolveram projeções até 2030. Segundo o estudo, maiores níveis de assistência internacional ao desenvolvimento estiveram associados a uma redução de 24% na mortalidade geral e de 33% entre crianças menores de cinco anos.
Em um cenário de continuidade dos cortes nesses recursos, os pesquisadores estimam a ocorrência de 7,6 milhões de mortes adicionais até 2030, das quais cerca de 1,4 milhão seriam de crianças menores de cinco anos.
O estudo também simulou dez mecanismos de financiamento discutidos internacionalmente, entre eles impostos sobre a riqueza de bilionários, grandes empresas multinacionais, transações financeiras, emissões de carbono e ativos em criptomoedas.
Entre os cenários analisados, uma tributação de 3% sobre a riqueza de bilionários apresentou o maior impacto estimado, com potencial de evitar até 29,5 milhões de mortes. Um imposto mínimo global sobre grandes multinacionais estaria associado à prevenção de aproximadamente 20 milhões de mortes, enquanto a tributação de transações financeiras poderia evitar cerca de 24 milhões.
“Vivemos em um mundo extremamente desigual, onde um pequeno número de indivíduos e corporações acumula riqueza em ritmo e escala sem precedentes, enquanto milhões de pessoas vulneráveis continuam morrendo por falta de acesso a intervenções humanitárias básicas e de baixo custo”, afirma Rasella.
Os autores ressaltam que o trabalho não recomenda uma política específica, mas busca estimar os possíveis impactos sobre a saúde de diferentes mecanismos de financiamento atualmente discutidos em fóruns internacionais.
Também participou do estudo o pesquisador Rodrigo Anderle, do ISC/UFBA, responsável por parte das modelagens utilizadas na pesquisa.
Acesse o preprint do estudo:
https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=6143363&utm_source=chatgpt.com