Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, relembrou o impacto da morte da mulher, Patrícia Kisser, com quem foi casado por 32 anos. Em entrevista ao podcast “Tantos Tempos”, o músico contou que a perda provocou uma mudança profunda na maneira como passou a enxergar a vida e o tempo.
Ao recordar o dia da morte da companheira, Andreas descreveu a sensação de perceber, de forma repentina, que ela não estaria mais ao seu lado. “No dia que ela morreu, eu percebi que a vida é um sopro. Foi tão claro. De repente, ela não estava mais lá. Tudo o que a gente passou, 32 anos casados, três filhos, tudo o que ela me ajudou na minha vida profissional… de repente não estava mais lá”, contou.
A experiência fez o músico passar a refletir mais sobre a importância de viver o presente. Segundo Andreas, a perda também o levou a repensar a relação que mantinha com acontecimentos do passado.
“Esse respeito pela noção de tempo, ajuda muito a gente estar conectado ao presente e não ao passado, às vezes muito conectado ao que aconteceu no passado”, afirmou.
Patrícia falava sobre a própria morte com tranquilidade
Andreas também contou que Patrícia tinha uma relação bastante tranquila com o assunto e costumava falar sobre a própria morte. Segundo ele, a companheira chegou a deixar claro como gostaria que fosse sua despedida.
O músico lembrou que ela dizia que queria estar confortável e até brincava sobre os objetos que deveriam acompanhá-la no funeral. “Eu percebi que a gente precisa falar de morte. Ela sempre falava de uma maneira tranquila, desde que ela namorava. Ela agregava muito, era querida por gregos e troianos”, contou.
Andreas também recordou uma das brincadeiras de Patrícia sobre o momento da despedida. Ela dizia para que não esquecessem de separar seu travesseiro, cobertor, pijama e meia, porque não queria sentir frio.
Apesar do tom descontraído, o músico contou que, quando Patrícia morreu, a família já sabia quais eram os desejos dela. “Quando aconteceu, todo mundo sabia o que ela queria. Estava tudo separado, não teve conflito”, afirmou.
Quatro anos após a morte da mulher, Andreas diz que continua aprendendo com a experiência do luto. Para ele, a morte não deve ser encarada como uma punição, mas como parte da vida e também como uma oportunidade de compreender a importância de encerrar ciclos. “Morte não é uma punição, não é uma guerra. Ela tem sido uma grande professora”, declarou.
O guitarrista ainda comparou a dificuldade de não concluir ciclos a um livro ou filme que nunca chega ao fim. Para ele, aprender a lidar com essas despedidas é uma parte importante da existência.