A Alemanha avalia proibir o uso e a venda dos óculos inteligentes da Meta, que já venderam mais de 7 milhões de unidades no mundo. A análise está a cargo da Agência Federal de Redes (Bundesnetzagentur), órgão regulador de telecomunicações do país, que abriu uma revisão formal sobre o produto. As informações são do Portal DW.
A principal preocupação das autoridades é a dificuldade de identificar quando o dispositivo está gravando, o que pode configurar violação à legislação alemã de proteção de imagem. Thomas Fuchs, comissário responsável pela fiscalização dos serviços da Meta no país, disse à emissora ARD que seu gabinete já aplica multas para coibir gravações feitas às escondidas com os óculos.
Organizações de defesa de direitos digitais reforçam o alerta. A entidade HateAid afirmou que “óculos inteligentes com câmeras permitem gravações discretas, sem que as pessoas envolvidas percebam”. Casos de filmagens não autorizadas já foram registrados em cidades como Hamburgo e Colônia; em um deles, uma mulher foi gravada sem saber enquanto tomava sol à beira de um lago, e o vídeo acabou publicado no TikTok.
Diante dos episódios, algumas cidades já adotaram medidas locais: em junho, Potsdam, perto de Berlim, proibiu o uso dos óculos em piscinas e saunas, e uma proposta semelhante foi apresentada em Hamburgo pelo partido A Esquerda. Nos Estados Unidos, o estado de Nova York também restringiu o uso dos dispositivos em tribunais.
Uma eventual proibição alemã teria peso simbólico e comercial: a Meta domina entre 70% e 82% do mercado global de óculos inteligentes, e uma decisão desfavorável da Bundesnetzagentur pode abrir precedente para outros reguladores da União Europeia, como a CNIL, na França, que já emitiu alertas sobre esse tipo de acessório.