A madrugada desta sexta-feira (31) reserva um espetáculo no céu para os entusiastas da astronomia. O período marca o pico de uma chuva de meteoros que, sob condições ideais, poderá registrar até 25 fragmentos por hora.
De acordo com a Agência Espacial Brasileira (AEB), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o fenômeno pode ser visto a olho nu, dispensando o uso de qualquer equipamento especial, como binóculos ou telescópios.
A principal barreira para a observação neste ano será a Lua cheia, cujo brilho intenso ofuscará os meteoros mais fracos. No entanto, os rastros mais luminosos continuarão visíveis. Como o fluxo de atividade do fenômeno apresenta variações naturais, as chances de visualização se estendem também para a madrugada de sábado (1º).
A janela de horário mais indicada para olhar para o céu é entre 1h30 e 2h da manhã. A recomendação para quem deseja acompanhar as populares “estrelas cadentes” é buscar locais escuros, longe da interferência das luzes das cidades, e focar a visão em uma área ampla do firmamento.
A prática, vale ressaltar, exige apenas conforto: uma cadeira, um cobertor para o frio e uma bebida quente são os itens sugeridos.
Para os interessados em registrar o momento em fotos, a técnica exige apontar a câmera para o lado oposto ao brilho lunar. É necessário utilizar configurações de longa exposição, mantendo o obturador aberto por cerca de 10 segundos, aliadas a um ISO elevado.
A ciência por trás do brilho
As chuvas anuais ocorrem quando a órbita da Terra cruza trilhas de detritos deixados por cometas e asteroides. No Hemisfério Sul, o destaque do momento é a chuva Delta Aquáridas do Sul.
O público também poderá notar a passagem da Alfa Capricornídeos, conhecida por meteoros de deslocamento mais lento e ligeiramente coloridos, e os primeiros sinais da chuva Perseidas.
Ao entrarem na atmosfera terrestre, essas partículas, que frequentemente têm o tamanho de um mero grão de areia, atingem velocidades extremas que variam de 40 mil km/h a 260 mil km/h (o equivalente a 11 e 72 quilômetros por segundo). É o atrito gerado por essa rapidez que aquece o fragmento e produz o feixe de luz visto aqui de baixo.
Na grande maioria das vezes, o rastro luminoso dura apenas uma fração de segundo. O tempo de visibilidade só é maior quando a entrada na atmosfera acontece em um ângulo mais raso ou quando se trata de um “bólido”, nome dado a meteoros cujo brilho consegue superar a luminosidade do planeta Vênus.
Quem perder o espetáculo desta semana já tem uma nova data para marcar no calendário. No dia 12 de agosto ocorrerá o ápice da chuva Perseidas, que terá condições privilegiadas de observação nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.
A data também será marcada por um eclipse solar total, mas que terá visibilidade restrita a partes da Europa.