A inteligência russa formalizou acusações criminais contra Pavel Durov, criador e principal executivo do aplicativo Telegram. O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) anunciou, nesta quarta-feira (29), a emissão de uma ordem de prisão internacional contra o empresário, sob a alegação de colaboração com práticas terroristas.
Segundo a versão do órgão estatal, a medida decorre da recusa da plataforma em apagar publicações associadas a grupos extremistas e aos serviços de inteligência da Ucrânia. A acusação sustenta que o aplicativo teria servido como ferramenta para planejar e coordenar episódios de sabotagem, massacres, golpes virtuais e atos de terrorismo dentro do território russo.
A reação vinculada à empresa ocorreu por meio da rede social X, onde o perfil oficial do Telegram veiculou uma imagem de Durov fazendo um gesto obsceno com o dedo do meio. Fora a publicação da foto, o executivo e a equipe da plataforma não apresentaram pronunciamentos formais sobre a decisão do governo russo.
O cerco do governo de Vladimir Putin ao empresário se intensificou ao longo do ano. Em fevereiro, jornais estatais noticiaram que o executivo estava sob investigação por envolvimento em caso de terrorismo.
Em abril, o próprio Durov relatou ter recebido uma intimação endereçada ao “Suspeito P.V. Durov” em um imóvel na Rússia onde havia morado por 20 anos. Na oportunidade, ele ironizou o documento ao declarar que sentia orgulho de ser acusado por defender os artigos da Constituição russa que asseguram a liberdade de expressão e a privacidade de correspondência.
Nascido na Rússia, o empresário também possui passaportes da França e dos Emirados Árabes Unidos. No passado, ele fundou a rede social VKontakte (equivalente russo do Facebook), mas vendeu sua participação restante em 2014 após sofrer exigências do governo local.
Lançado em 2013, o Telegram supera 1 bilhão de usuários e tornou-se um canal de comunicação utilizado por ambos os lados da guerra entre russos e ucranianos.
Mesmo com as investidas do governo para restringir o uso da rede e promover o concorrente estatal Max, a administração russa ainda depende do canal: órgãos como o Ministério da Defesa e o próprio Kremlin mantêm publicações diárias na plataforma.
O paradeiro atual de Durov permanece desconhecido. Ele chegou a ser preso pelas autoridades da França em agosto de 2024, obtendo a soltura após alguns dias.
No país europeu, o executivo continua sendo investigado por suposta falta de cooperação com as forças de segurança no combate a crimes no app (acusações que ele nega). Suas últimas sinalizações públicas indicavam presença em Dubai, em maio, e uma passagem recente pela Geórgia, em julho.