Feira de Santana é um dos municípios com maior número de produtores rurais do Brasil, aponta IBGE

Feira de Santana é um dos municípios com maior número de produtores rurais do Brasil, aponta IBGE

Redação Alô Alô Bahia

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Ricardo Patrese

Publicado em 28/07/2026 às 10:49 / Leia em 3 minutos

Neste Dia do Agricultor, comemorado nesta terça-feira (28), os números do campo na Bahia ganham destaque nacional. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na última quinta-feira (23) com base no Censo Agropecuário de 2017, colocou Feira de Santana na terceira posição no ranking de municípios brasileiros com o maior volume de produtores rurais, somando 9.191 trabalhadores.

O cenário feirense se diferencia por um detalhe demográfico marcante: a força feminina. A cidade tem o maior índice do estado de mulheres à frente dos negócios agropecuários, com 55,6%.

Em toda a Bahia, o domínio feminino na liderança das propriedades só se repete em outros três municípios: Santo Estêvão (55,5%), Antônio Cardoso (51,0%) e Pedrão (50,9%).

Quando se observa o cenário estadual, a Bahia assume a liderança absoluta no país. O estado concentra 15% de todos os estabelecimentos rurais brasileiros, reunindo 762.848 produtores.

O peso baiano no setor é tamanho que, além de Feira de Santana, outras três cidades figuram no top 10 nacional: Casa Nova aparece em 6º lugar (7.509 produtores), seguida por Juazeiro em 9º (7.288) e Macaúbas na 10ª posição (7.189).

Essa vocação agropecuária reflete diretamente na empregabilidade. De acordo com os dados de 2017, a Bahia abrigava a maior população ocupada no campo em todo o território nacional, com 2,1 milhões de trabalhadores, número que correspondia a 13,9% da mão de obra rural do Brasil.

No recorte de gênero geral do estado, os homens ainda respondem por 74,4% da liderança das propriedades. Apesar disso, a Bahia possui a segunda menor proporção masculina no comando rural do país, ficando atrás apenas de Pernambuco e bem abaixo da média nacional de 81%.

O perfil traçado pelo instituto também expõe obstáculos estruturais da categoria. A atividade rural apresenta sinais claros de envelhecimento, já que a maior parcela dos agricultores (45%) estava concentrada na faixa etária entre 45 e 65 anos. Apenas 29,5% tinham até 45 anos na época da pesquisa.

O acesso à educação é outro gargalo severo. O levantamento revelou que 32,1% dos produtores rurais baianos não sabiam ler nem escrever, um índice quase três vezes maior do que a taxa de analfabetismo da população do estado no mesmo período.

A estatística aponta ainda que 22,4% nunca frequentaram uma escola e somente uma parcela restrita de 2,9% chegou a concluir o ensino superior.

Para atualizar esse panorama e traçar um novo perfil do campo brasileiro, o IBGE planeja realizar a próxima edição do Censo Agropecuário em 2027.

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