O Tribunal Superior de Seul determinou que o bilionário sul-coreano Chey Tae-won, presidente do conglomerado SK Group, pague 944 bilhões de wons, o equivalente a cerca de R$ 3,27 bilhões, à ex-esposa, Roh Soh-yeong. O caso, apelidado pela imprensa local de “divórcio do século”, é um dos maiores litígios patrimoniais da história da Coreia do Sul.
A decisão aumenta significativamente o valor definido em primeira instância e ainda pode ser contestada na Suprema Corte do país. Chey e Roh foram casados por 34 anos e oficializaram a separação em 2017, dando início à disputa judicial pela divisão do patrimônio.
Segundo o tribunal, a valorização da fortuna do empresário não decorreu apenas de sua atuação à frente dos negócios. A Justiça considerou que Roh Soh-yeong contribuiu para a construção do patrimônio ao administrar a família, criar os três filhos e participar de atividades relacionadas ao grupo empresarial durante o casamento.
A indenização também levou em conta a valorização das ações do SK Group, impulsionada pelo crescimento do mercado de inteligência artificial. O conglomerado controla empresas dos setores de tecnologia, energia e telecomunicações, entre elas a SK Hynix, uma das maiores fabricantes de chips de memória utilizados em sistemas de inteligência artificial.
De acordo com o Bloomberg Billionaires Index, Chey Tae-won possui uma fortuna estimada em US$ 5,6 bilhões.
Apesar da condenação bilionária, analistas avaliam que o empresário não deverá perder o controle do SK Group, já que o pagamento poderá ser feito em dinheiro, sem necessidade de vender sua participação na holding que controla o conglomerado.
O casamento começou a se deteriorar publicamente em 2015, quando Chey admitiu manter um relacionamento extraconjugal e revelou ter um filho fora do casamento. Dois anos depois, o casal iniciou oficialmente o processo de divórcio, que se transformou em uma das maiores disputas patrimoniais do país.
Além do montante envolvido, o caso ganhou repercussão por envolver duas famílias influentes da Coreia do Sul. Roh Soh-yeong é filha do ex-presidente sul-coreano Roh Tae-woo, e o processo reacendeu o debate sobre a relação entre os grandes conglomerados familiares do país, conhecidos como chaebols, e o poder político.