Playboy passa por modernização e reformula tradicionais ‘coelhinhas’: ‘Não é pornografia’

Playboy passa por modernização e reformula tradicionais ‘coelhinhas’: ‘Não é pornografia’

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Zoey Grossman

Publicado em 20/07/2026 às 17:26 / Leia em 3 minutos

A Playboy iniciou uma nova fase editorial ao reformular seus tradicionais ensaios fotográficos e reposicionar a imagem das famosas “coelhinhas”. Com a retomada da edição impressa, interrompida em 2020, a publicação busca atualizar sua identidade e apresentar uma abordagem que, segundo a direção da marca, valoriza a nudez em um contexto artístico e editorial. A revista passa a circular com periodicidade trimestral.

Em entrevista à Press Gazette, o editor-chefe e diretor de marca, Philip Picardi, afirmou que a Playboy sempre procurou manter uma distinção em relação à pornografia. “Sempre houve uma diferença entre a Playboy e a pornografia, especialmente em relação aos tipos de conteúdo pornográfico que são muito comuns atualmente e aos quais as pessoas têm acesso simplesmente por possuírem uma conta nas redes sociais”, disse. Picardi também afirmou que considera estimulante recuperar o aspecto artístico da publicação. “Por isso, achei o desafio de trazer de volta a arte e a reflexão à nudez extremamente empolgante como artista.” Primeiro editor-chefe assumidamente gay da história da revista, ele acrescentou: “Não chego a chamar o que fazemos na Playboy de feminista, porque considero esse um termo carregado de significados e tenho certeza de que muitas pessoas discordariam dessa classificação.”

A mudança de posicionamento ficou evidente na segunda edição publicada após o retorno da versão impressa, que trouxe um ensaio da atriz e modelo Cara Delevingne. A primeira edição dessa nova fase teve como destaque a cantora colombiana Karol G. Segundo Picardi, o objetivo agora é recuperar a identidade que tornou a Playboy conhecida e ampliar a presença da marca em produções audiovisuais. “Há uma autenticidade e uma crueza nas imagens que me renderam um retorno muito positivo. Não apenas de homens, mas também uma resposta excepcional de mulheres”, afirmou.

A reformulação ocorre após anos de mudanças e desafios para a empresa. Em 2015, a Playboy deixou de publicar ensaios com nudez, decisão revertida em 2017. Três anos depois, suspendeu a edição impressa, retomada apenas seis anos mais tarde. Nesse período, a marca também enfrentou repercussões envolvendo acusações feitas por ex-namoradas, antigas coelhinhas e ex-funcionárias contra Hugh Hefner, fundador da revista em 1953, morto em 2017 aos 91 anos. Elas o acusaram de incentivar uma cultura de manipulação, coerção e exploração sexual na Mansão Playboy.

No campo financeiro, a empresa registrou crescimento de 4% na receita em 2025. O resultado contribuiu para reduzir o prejuízo líquido de US$ 79,4 milhões, cerca de R$ 410 milhões, para US$ 12,7 milhões, aproximadamente R$ 67 milhões.

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