Principal estreia da semana nos cinemas, o filme “A Odisseia” tem movimentado as redes sociais com um debate sobre qual é o formato ideal para a experiência nas telonas. A discussão é motivada pela escolha do diretor Christopher Nolan de gravar toda a produção utilizando rolos de filme IMAX de 70mm.
A decisão técnica, no entanto, esbarra na estrutura atual do circuito exibidor. Apenas 41 salas no mundo inteiro possuem o maquinário adequado para projetar o filme na sua versão original em 70mm. O Brasil não conta com nenhuma sala com essa capacidade.
Para se adaptar à realidade global, o longa chega ao público com variações na proporção da imagem, também conhecida como razão de aspecto.
Diferenças entre as telas
O enquadramento do longa sofre alterações dependendo da sala escolhida pelo espectador:
- IMAX 70mm: Com razão de aspecto de 1.43:1, a tela possui um formato mais quadrado em comparação ao padrão atual.
- IMAX Digital: Opção disponível em 12 salas espalhadas pelo Brasil. A proporção é de 1.90:1, funcionando como um meio-termo entre o 70mm e os cinemas comuns.
- Salas regulares: Exibem o filme no formato tradicional de tela mais retangular (widescreen), com razão de aspecto de 2.39:1.
Qualidade de imagem e planejamento visual
Apesar das disparidades nas dimensões, o enquadramento de cada cena é estrategicamente planejado pela equipe de direção de fotografia ainda durante as gravações, garantindo que o filme funcione tanto nas telas gigantes quanto no padrão convencional. Com isso, o público que optar pelas salas regulares não terá uma experiência ruim, mas sim diferente.
A grande vantagem do IMAX em 70mm está no nível de imersão e na qualidade do material. O formato preenche uma área muito maior do campo de visão vertical da plateia. Além disso, a película de 70mm apresenta uma resolução dez vezes superior à do aspecto convencional de 35mm, entregando um grau de nitidez muito mais elevado.
Outro diferencial técnico é a própria estética do filme analógico. A textura natural e a granulação da película geram um resultado que se aproxima muito mais da forma como o olho humano enxerga o mundo, opondo-se ao suporte digital convencional, cuja formação da imagem é baseada em pixels.