Apesar de o português ser o idioma oficial de nove países, muitos brasileiros ainda desconhecem quais nações integram esse grupo. A constatação faz parte do Barômetro da Lusofonia, primeira pesquisa de opinião realizada de forma abrangente entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que completa 30 anos de criação em 2026.
Idealizado pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), o levantamento ouviu 5,7 mil pessoas em oito países da CPLP — apenas a Guiné Equatorial ficou de fora por questões logísticas. O estudo também revelou que, apesar das diferenças geográficas, culturais e econômicas, as populações compartilham preocupações semelhantes, com destaque para saúde, educação e desemprego.
Segundo a pesquisa, há ainda uma percepção generalizada de insatisfação com o funcionamento da democracia, embora as eleições continuem sendo valorizadas pela maioria dos entrevistados. Para o historiador Virgílio Arraes, professor da Universidade de Brasília (UnB), o descontentamento está relacionado às dificuldades sociais enfrentadas pelos países, e não a uma nostalgia por regimes autoritários.
Criada em 17 de julho de 1996, em Lisboa, a CPLP reúne Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial, com o objetivo de fortalecer a cooperação entre as nações unidas pela língua portuguesa.