A Bahia segue como a principal economia do Nordeste e, ao lado de Ceará e Pernambuco, lidera a atração de investimentos que devem impulsionar o desenvolvimento da região nos próximos anos. Segundo análise do Banco do Nordeste (BNB), os três estados concentram 61% do Produto Interno Bruto (PIB) nordestino e exercem protagonismo na chegada de projetos em áreas como indústria, energia, mineração, petróleo, tecnologia, agronegócio, turismo e logística.
“Ceará, Bahia e Pernambuco exercem uma força gravitacional natural na atração de investimentos”, afirma Rogério Sobreira, economista-chefe do BNB, em entrevista ao Valor Econômico. Juntos, os três estados reúnem cerca de 59% da população nordestina e somaram um PIB de R$ 1,08 trilhão em 2025, de acordo com o banco.
Embora a Tendências Consultoria projete crescimento de 1,7% para a economia baiana em 2026 e de 2% em 2027, abaixo de alguns vizinhos, a Bahia permanece como a maior economia da região. O desempenho é sustentado pelo Polo Industrial de Camaçari, pela instalação da fábrica da BYD e pelos investimentos no setor de refino de petróleo.
O estado também se destaca como importante produtor de grãos no oeste baiano e ocupa a terceira posição nacional na exploração mineral. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), estão previstos US$ 11,7 bilhões em investimentos no setor até 2030. O PIB per capita baiano é de R$ 33.236.
Pernambuco, segunda maior economia da região, deve crescer 2,5% em 2026 e 1,6% em 2027. O avanço será impulsionado principalmente pelos R$ 12 bilhões que a Petrobras destinará à ampliação da Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, e pelos R$ 13 bilhões investidos pela Stellantis na expansão do polo automotivo de Goiana até 2030.
Já o Ceará tem expectativa de crescimento de 2,4% neste ano e de 1,8% em 2027. O estado fortalece sua posição como referência em energias renováveis e como principal hub de cabos submarinos de fibra óptica do país, fatores que favorecem a instalação de grandes data centers. Entre os projetos anunciados está o investimento de R$ 200 bilhões da TikTok no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, além de iniciativas voltadas ao hidrogênio verde.
Nas economias de porte intermediário, Maranhão, Rio Grande do Norte e Paraíba concentram 24% do PIB nordestino. O Maranhão se destaca pelo agronegócio, logística e indústria do alumínio; o Rio Grande do Norte lidera a produção nacional de energia eólica e petróleo em terra, além de ter o maior PIB per capita da região; e a Paraíba mantém o turismo, o varejo e a indústria calçadista como principais motores da economia.
Entre os estados de menor participação econômica, Alagoas, Piauí e Sergipe respondem juntos por 15% do PIB do Nordeste. Alagoas tem perspectivas positivas com a produção de cana-de-açúcar, gás natural, PVC e turismo. O Piauí desponta pelo avanço da produção de soja e milho no sul do estado e deverá registrar um dos maiores crescimentos da região até 2027. Já Sergipe aposta na exploração de petróleo e gás em águas profundas, com investimento anunciado pela Petrobras de R$ 60 bilhões até 2030, embora a agropecuária ainda sustente a economia local enquanto os novos projetos não entram em operação.
Apesar da diversificação econômica e do volume crescente de investimentos, o Nordeste ainda apresenta um PIB per capita médio de R$ 27,6 mil, bem abaixo da média nacional, de R$ 59,6 mil.