Tony Bellotto revisitou momentos marcantes de sua trajetória durante participação no Roda Viva, da TV Cultura, exibido na última segunda-feira (6). O guitarrista dos Titãs falou sobre a prisão por porte de drogas em 1985, lamentou ter citado o nome de Arnaldo Antunes durante a abordagem policial e também compartilhou como tem encarado o tratamento contra um câncer de pâncreas diagnosticado há cerca de um ano.
Ao recordar o episódio ocorrido nos anos 1980, Bellotto contou que foi abordado pela polícia enquanto carregava uma pequena quantidade de heroína. Na ocasião, informou aos agentes que havia adquirido a droga com Arnaldo Antunes, o que levou os policiais até a residência do cantor. No local, outra quantidade da substância foi encontrada, e Arnaldo acabou autuado por tráfico. Bellotto respondeu pelo porte de drogas e foi liberado após o pagamento de fiança. Durante a entrevista, afirmou que se arrepende de ter envolvido o colega e explicou que tomou a decisão sob a pressão do momento.
O músico também voltou a defender a legalização das drogas. Segundo ele, a política de proibição não reduziu o consumo ao longo dos anos e contribuiu para fortalecer o crime organizado. Em entrevista recente à revista Veja Rio, Bellotto afirmou ser favorável à regulamentação acompanhada de campanhas de orientação e informação à população. Ainda durante o programa, comentou a origem da música Polícia, lançada no álbum Cabeça Dinossauro em 1986. De acordo com o guitarrista, a composição não foi escrita como uma crítica aos policiais individualmente, mas ao abuso de poder e à legislação vigente na época, ainda influenciada por resquícios da ditadura militar.
Além de falar sobre os 40 anos de Cabeça Dinossauro, comemorados pelos Titãs com uma turnê especial, Bellotto comentou sua carreira como escritor, que reúne 11 livros publicados. Em 2025, ele recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Romance Literário pelo livro Vento em Setembro.
Outro tema abordado foi o tratamento contra o câncer de pâncreas. Bellotto disse que prefere não adotar a ideia de uma “luta” contra a doença e explicou que encara o processo de outra forma. “Eu, como pacifista, não estou lutando contra o câncer. Estou tentando negociar uma convivência pacífica”, afirmou. Para o músico, o diagnóstico trouxe uma nova perspectiva sobre a vida. “A doença te coloca a presença da finitude muito objetiva, muito clara na tua frente. Isso me transformou”, declarou. Ele acrescentou que procura enfrentar esse período com otimismo. “Já que me aconteceu, eu tenho que viver ela da maneira mais intensa possível. E estou conseguindo sobreviver com uma certa positividade ou otimismo.”