Em evidência na Copa após marcar na vitória de Portugal sobre a Croácia, Cristiano Ronaldo, de 41 anos, segue associado à disciplina que marcou sua carreira. O atacante costuma ser lembrado por treinos, dieta rígida e cuidado físico, mas um detalhe menos conhecido da rotina envolve o método R90, criado pelo britânico Nick Littlehales para dividir a recuperação em ciclos de 90 minutos.
A técnica ganhou espaço no futebol depois que Littlehales passou a trabalhar com clubes de elite, começando pelo Manchester United nos anos 1990. Em entrevista à Sky Sports, ele resumiu a virada da própria carreira: “Passei de vendedor de camas a conversar com Sir Alex Ferguson”. A partir dali, o sono passou a ser tratado como parte da preparação física, ao lado de treino, alimentação e fisiologia.
No caso do astro português, a ideia central é completar cerca de cinco ciclos por dia, o equivalente a 7,5 horas de descanso, distribuídos conforme treinos, jogos e deslocamentos. O método não significa dormir menos, mas organizar o repouso para reduzir desgaste, controlar o estresse e favorecer a recuperação muscular em uma rotina de alta exigência.
O ciclo de 90 minutos tenta respeitar a passagem por fases do sono leve, profundo e REM, etapa ligada à memória e ao processamento emocional. Para atletas, esse cuidado pode influenciar tempo de reação, tomada de decisão, humor e reparo físico, embora especialistas em saúde ressaltem que adultos, em geral, devem manter pelo menos sete horas de sono por dia e não copiar protocolos de elite sem orientação.