Índice de analfabetismo no Brasil atinge menor marca de série histórica

Índice de analfabetismo no Brasil atinge menor marca de série histórica

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 19/06/2026 às 11:32 / Leia em 4 minutos

O Brasil registrou 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever no ano de 2025. Os dados da pesquisa PNAD Contínua Educação foram divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (19).

O número representa uma taxa de analfabetismo de 4,9%, a menor marca desde o início do levantamento em 2016. É a primeira vez que o indicador fica abaixo de 5%. No ano de 2024, a taxa era de 5,3%.

O resultado indica uma redução de cerca de 592 mil pessoas analfabetas no período de um ano. No 1º ano da série histórica, o percentual batia 6,7%. Apesar do avanço geral, o cenário nacional segue marcado por fortes desigualdades regionais, raciais e de idade.

Mais da metade da população analfabeta vive na região Nordeste. A área concentra 4,8 milhões de pessoas nessa condição, o equivalente a 57,4% do total do país, com uma taxa de 10,6%.

A região Norte também aparece acima da média nacional com 5,7%. Os menores percentuais estão no Sul com 2,4% e no Sudeste com 2,3%, enquanto o Centro-Oeste marca 3,3%.

A faixa etária revela que o analfabetismo atinge com mais força os idosos. Pessoas com 60 anos ou mais representavam 58% do total de analfabetos no país em 2025, somando 4,8 milhões de cidadãos que não sabiam ler e escrever um bilhete simples.

A taxa nesse grupo bateu 13,8%, número superior aos 2,6% registrados entre pessoas de 15 a 59 anos. Entre os idosos, a taxa de mulheres analfabetas de 60 anos ou mais ficou abaixo da marca dos homens pela primeira vez, com 13,7% para elas e 14,1% para eles.

O IBGE aponta que a diferença reflete o maior acesso de jovens ao ensino e a necessidade de políticas de alfabetização para a fase adulta.

O abismo racial também continua expressivo. Entre pessoas de 15 anos ou mais, 2,8% dos brancos eram analfabetos em 2025 contra 6,5% da população preta ou parda. Na faixa de 60 anos ou mais, a distância aumenta com 7,3% entre brancos e 20,6% entre pretos ou pardos.

A pesquisa aponta avanço no nível de escolaridade da população adulta. Pela primeira vez, mais da metade das pessoas pretas ou pardas com 25 anos ou mais concluiu ao menos o ensino médio, alcançando 51,3% em 2025.

Entre as pessoas brancas, a proporção bateu 64,9%. No total da população com 25 anos ou mais, 57,4% terminaram a educação básica obrigatória. O percentual de pessoas com ensino superior completo cresceu e chegou a 21,4%.

O levantamento do IBGE apresenta outros indicadores importantes sobre a educação no país:

  • A média de anos de estudo da população com 25 anos ou mais chegou a 10,2 anos em 2025 contra 9,1 anos em 2016;
  • As mulheres seguiram com escolaridade média maior com 10,4 anos contra 10 anos dos homens;
  • Pessoas brancas registraram 11,1 anos de estudo em média enquanto pessoas pretas ou pardas marcaram 9,5 anos;
  • 41,7% das crianças de 0 a 3 anos frequentavam escola ou creche, número abaixo da meta do Plano Nacional de Educação para 2024;
  • No Norte, 35,2% dos bebês de 0 a 1 ano e 44,5% das crianças de 2 a 3 anos estavam fora da creche por falta de vaga, de unidade ou por idade;
  • A proporção de crianças de 6 a 14 anos na etapa ideal do ensino fundamental bateu 96,1% e não retomou o patamar de antes da pandemia;
  • A frequência no ensino médio foi de 77,4% entre homens de 15 a 17 anos e de 84% entre mulheres da mesma faixa, registrando 77,8% entre pretos ou pardos e 84,9% entre brancos;
  • O abandono escolar atingiu 18,5% aos 16 anos, 20% aos 17 anos e 17,6% aos 18 anos;
  • Um em cada quatro jovens de 14 a 29 anos sem o ensino médio completo relatou não ter interesse nos estudos;
  • Os principais motivos de abandono escolar entre mulheres foram o trabalho com 26,2% e a gravidez com 24,7%.

O estudo mostra queda no grupo de jovens de 15 a 29 anos que não trabalhavam e não estudavam. Em 2025 o país tinha 46,6 milhões de pessoas nessa faixa etária e 17,5% delas viviam nessa condição, contra os 22,4% do ano de 2019.

O número absoluto caiu de 11 milhões em 2019 para 8,2 milhões em 2025. Na comparação com o ano de 2024, que registrou 8,6 milhões de jovens nesse cenário, a queda foi de 4,8%.

A desigualdade permanece nesse grupo. O percentual de mulheres jovens sem ocupação e sem estudo bateu 22,8%, enquanto os homens registraram 12,4%.

No recorte racial, 19,8% dos jovens pretos ou pardos enfrentavam a situação contra 14% dos brancos. A pesquisa indica ainda que 24,8 milhões de pessoas com 14 anos ou mais frequentavam algum curso de qualificação profissional, o equivalente a 14,2% da população da faixa etária.

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