A presença de atletas de origem africana na França está diretamente ligada à história do país. Durante os séculos XIX e XX, a França manteve um vasto império colonial na África, controlando territórios que hoje correspondem a países como Senegal, Mali, Costa do Marfim, Camarões, Argélia, Tunísia, Marrocos e República Democrática do Congo.
Após a Segunda Guerra Mundial e os processos de independência das colônias africanas, milhões de pessoas migraram para a França em busca de trabalho e melhores oportunidades. Muitas dessas famílias se estabeleceram definitivamente no país, formando novas gerações de franceses nascidos em cidades como Paris, Marselha, Lyon e Lille.
Os filhos e netos desses imigrantes cresceram integrados à sociedade francesa e, por terem cidadania do país, podem representar a seleção nacional em competições esportivas. É o caso de diversos craques que marcaram a história dos Bleus, como Kylian Mbappé, filho de pai camaronês e mãe argelina, além de nomes como Paul Pogba, N’Golo Kanté e Aurélien Tchouaméni, cujas famílias têm raízes africanas.
Outro fator importante é a forte estrutura esportiva francesa. O país investe há décadas em centros de formação e programas de base espalhados pelos bairros populares, onde vivem muitas famílias descendentes de imigrantes. Esse sistema ajudou a revelar talentos que posteriormente chegaram à elite do futebol mundial.