Messi deveria ter sido expulso em Argentina x Argélia? O assunto virou debate após a vitória argentina por 3 a 0, nesta terça-feira, pela Copa do Mundo. O lance ocorreu ainda no primeiro tempo, quando o camisa 10 atingiu a panturrilha do zagueiro Aïssa Mandi com as travas da chuteira. O árbitro Szymon Marciniak marcou falta, mas não mostrou cartão.
A discussão ganhou força porque Messi seguiu em campo e terminou a partida como protagonista. Ele fez os três gols da Argentina, igualou Miroslav Klose como maior artilheiro da história das Copas, com 16 gols, e colocou a seleção atual campeã em vantagem no Grupo J logo na estreia.
Pela regra, a análise depende do grau de força, do ponto de contato e do risco ao adversário. A IFAB define jogo brusco grave como uma entrada que coloca em risco a integridade do oponente ou usa força excessiva. Por esse critério, o contato com as travas na parte de trás da perna de Mandi dá margem para revisão de cartão vermelho, especialmente por atingir uma região vulnerável.
A decisão de campo, porém, ficou no cartão zerado. O VAR não chamou Marciniak para revisar a jogada no monitor, e Mandi conseguiu continuar depois de atendimento. Relatos internacionais trataram Messi como “sortudo” por escapar sem punição, enquanto comentaristas e torcedores apontaram que o lance poderia ter mudado o jogo ainda com a Argentina vencendo por apenas 1 a 0.
O jornal espanhol AS tratou a jogada como uma ação no limite. O ex-árbitro Iturralde González, analista do jornal, disse que a falta foi de “quase laranja”, expressão usada para lances entre amarelo e vermelho, mas cravou que a advertência era clara. Segundo ele, Marciniak errou ao não mostrar cartão amarelo ao argentino.
A avaliação mais dura apareceu em análises repercutidas por Goal e Fox Sports. Ale Moreno, comentarista da ESPN FC, afirmou que era “100% cartão vermelho para Lionel Messi”, enquanto Nedum Onuoha disse que o árbitro de campo poderia ter perdido o lance, mas que o VAR deveria ter recomendado a revisão.
O The Athletic também colocou o episódio como um ponto de debate da partida. A publicação apontou que Mandi foi atingido na panturrilha direita e no tendão de Aquiles, e avaliou que o lance poderia render ao menos amarelo, com possibilidade de vermelho. O tom foi menos taxativo do que o da ESPN, mas ainda crítico à ausência de punição.
De acordo com PC Oliveira, comentarista de arbitragem dos canais Globo, o lance não era para cartão vermelho, mas deveria ter rendido amarelo a Messi. O árbitro polonês Szymon Marciniak marcou a falta, porém não advertiu o argentino. “A entrada foi para cartão amarelo. Temerária, que de acordo com a regra é quando o jogador realiza uma ação sem levar em conta a consequência ou o risco para o adversário. Intensidade média. Não houve força excessiva para cartão vermelho”, disse PC.
Assim, a resposta mais segura é: havia elementos para expulsão, mas a arbitragem entendeu que não houve jogo brusco grave suficiente para vermelho nem imprudência suficiente para amarelo. A ausência de revisão em campo manteve a decisão original e deixou a polêmica como o principal contraponto à noite histórica de Messi.