A estreia da seleção do Irã na Copa do Mundo, na noite de segunda-feira (16), foi marcada não apenas pelo empate em 2 a 2 com a Nova Zelândia, mas também por problemas migratórios enfrentados pela delegação nos Estados Unidos.
Após a partida, disputada em Los Angeles, o capitão da equipe, o atacante Mehdi Taremi, e o auxiliar técnico Saeid Alhouei foram retidos no aeroporto durante os procedimentos de imigração enquanto o grupo se preparava para embarcar para Tijuana, no México, onde está concentrado. Segundo agências estatais iranianas, ambos enfrentaram um “atraso injustificado” na checagem e liberação para viagem.
O caso mais delicado, porém, envolve o atacante Mehdi Torabi. De acordo com as agências, o jogador recebeu um visto de entrada única nos Estados Unidos, enquanto o restante da delegação obteve autorizações de múltiplas entradas. A Federação Iraniana de Futebol iniciou os trâmites para emitir uma nova autorização e garantir que o atleta possa acompanhar a equipe nos próximos compromissos do torneio.
A participação iraniana na Copa já vinha cercada de incertezas devido às tensões entre Irã e Estados Unidos em meio ao conflito no Oriente Médio. Embora a competição seja sediada por Estados Unidos, México e Canadá, a base da seleção foi transferida para o México. A delegação está em Tijuana desde 7 de junho.
Antes da estreia, o técnico Amir Ghalenoei já havia criticado a logística imposta à equipe. Segundo ele, o planejamento previa uma noite de descanso em Los Angeles antes do retorno ao México, mas a permanência não foi autorizada. “Devíamos ficar aqui esta noite para nos recuperarmos e voltar amanhã na hora do almoço, mas eles não nos permitiram. Para ser sincero, não faço ideia do porquê. Acho que talvez nossa equipe seja a mais oprimida de toda a Copa do Mundo“, disse.
Ainda no estádio, Mehdi Taremi afirmou que as restrições prejudicam o desempenho da seleção. “Não é bom para nós. Acho que não é bom para o futebol. Acho que a Fifa precisa nos ajudar mais do que isso. É muito ruim e afeta nossa equipe, e nós só queremos paz”, disse.
Procurados pela Reuters, o Departamento de Estado dos Estados Unidos e a Fifa não comentaram as declarações. Os Estados Unidos já haviam informado que a seleção iraniana não poderia permanecer no país durante toda a competição. Segundo o embaixador do Irã no México, os vistos concedidos aos 26 jogadores permitem apenas entradas temporárias para treinamentos e partidas.
Inicialmente, a equipe pretendia se hospedar em Tucson, no Arizona, já que disputará os três primeiros jogos em solo americano. No entanto, a guerra iniciada após bombardeios coordenados por forças americanas e israelenses contra o Irã alterou o planejamento.
Em outro episódio envolvendo a participação iraniana no torneio, a Federação de Futebol do Irã (FFIRI) informou, em 9 de junho, que a cota de ingressos destinada aos seus torcedores havia sido retirada pelos Estados Unidos, impedindo que muitos fãs que já planejavam viajar acompanhassem os jogos da seleção.