A Copa do Mundo de 2026 já começou cercada de debates fora dos gramados. Nos últimos dias, a Fifa pediu alterações no uniforme da seleção do Haiti após considerar que uma ilustração presente na camisa poderia ser interpretada como uma mensagem política. O desenho fazia referência a um dos episódios mais importantes da história mundial: a Revolução do Haiti.
A Revolução Haitiana ocorreu entre 1791 e 1804, na então colônia francesa de Saint-Domingue, atualmente território do Haiti. O movimento foi liderado principalmente por pessoas escravizadas de origem africana, que se rebelaram contra o sistema colonial francês em busca da liberdade e do fim da escravidão.
Na época, Saint-Domingue era uma das colônias mais lucrativas do mundo, baseada na produção de açúcar e café por meio do trabalho escravo. Inspirados pelos ideais de liberdade e igualdade difundidos pela Revolução Francesa, milhares de escravizados iniciaram uma série de levantes que transformaram a história do continente americano.
Após mais de uma década de conflitos, os revolucionários derrotaram tropas francesas, espanholas e britânicas. Em 1º de janeiro de 1804, foi proclamada a independência do Haiti, tornando o país a primeira república negra independente do mundo e a primeira nação das Américas a abolir definitivamente a escravidão.
O episódio teve impacto global ao desafiar o sistema escravista vigente e inspirar movimentos anticoloniais e abolicionistas em diferentes partes do mundo. Ao mesmo tempo, provocou temor entre potências escravistas da época, que passaram a isolar diplomaticamente e economicamente o novo país.
A ilustração presente na camisa da seleção haitiana fazia referência à Batalha de Vertières, travada em 18 de novembro de 1803, considerada o confronto decisivo para a independência do Haiti. Para os haitianos, a cena representa resistência, liberdade e orgulho nacional.
Além do simbolismo histórico, a data ganhou um significado esportivo recente: em 18 de novembro de 2025, a seleção do Haiti garantiu vaga na Copa do Mundo de 2026 após vencer a Nicarágua por 2 a 0 nas Eliminatórias. A coincidência reforçou ainda mais a escolha da homenagem no uniforme.
Segundo a fornecedora Saeta, o design foi criado como uma celebração da história e da identidade haitiana, sem intenção de transmitir posicionamentos políticos. No entanto, a Fifa solicitou modificações com base em suas regras, que proíbem mensagens ou símbolos considerados políticos nos uniformes das seleções durante a competição.