Com uma carreira marcada por experimentações musicais, Larissa Luz mostra que segue se reinventando com o lançamento de seu quarto álbum de estúdio, “Desmonte”. Lançado no último dia 29 de maio, o projeto apresenta a artista mergulhando no universo do rock, em uma mistura de ritmos baianos que passeia pelo ijexá, samba-reggae e outras influências afro-diaspóricas.
Em entrevista exclusiva ao Alô Alô Bahia, Larissa revelou detalhes dos bastidores da produção e afirmou que o disco, desenvolvido ao longo de pouco mais de dois anos, representa uma realização pessoal por resgatar uma parte importante de sua trajetória artística.
“Eu tenho uma relação antiga com o rock, desde a adolescência, porque já tive banda de rock. Foi um dos primeiros ritmos que tomou a minha existência enquanto cantora e musicista. Então, esse disco é um resgate de mim mesma”, contou.

Foto: Jordan Villas
Apesar de trazer o rock como principal destaque sonoro, “Desmonte” mantém viva a presença dos ritmos baianos que sempre marcaram a identidade musical da artista. Para Larissa, essa fusão também é uma forma de evidenciar as raízes negras do gênero.
“Quis usar o rock como base, mas propus uma fusão rítmica do rock com vários ritmos negros baianos, ritmos de origem africana. Quis fazer essa fusão até para mostrar o quanto existe de negro no rock, o quanto essas linguagens têm em comum e como suas claves se combinam”, explicou a artista, que já vinha apresentando versões roqueiras de suas musicas em alguns shows.
Conhecida também por sua passagem pelo Ara Ketu, Larissa chamou atenção ao divulgar a capa do projeto, que traz a imagem de um trio elétrico enferrujado sendo erguido por um guindaste. Segundo a artista, o conceito não representa um ataque direto a nenhuma instituição, mas propõe uma reflexão sobre as estruturas presentes no Carnaval baiano e na sociedade.

“Quis trazer essa imagem simbolicamente como algo que a gente vive na festa, mas que também diz muito sobre o que vivemos durante todo o ano. Sobre questões raciais, de gênero, de música e de democracia. Acho que o Carnaval é uma festa que precisa ser para todo mundo e, assim como buscamos equidade na vida, é importante que ela exista também dentro da festa“, afirmou.
Com 13 faixas, “Desmonte” conta com produção musical de Danillo Panda e Ícaro Motta, além das participações da rapper soteropolitana Áurea Semiseria e de Zé Atunbi, ex-vocalista do grupo Afrocidade.
Impacto emocional e artístico
Vivendo um momento de celebração e amadurecimento artístico, Larissa define o novo trabalho como o mais representativo de sua trajetória até aqui. “É o disco mais eu de todos que já fiz. É o trabalho em que mais me coloquei intensamente, sem medos, sem amarras e sem o desejo de corresponder às expectativas de ninguém. É um disco maduro em relação à minha personalidade artística. Hoje, eu sou tudo aquilo que já era quando adolescente”, disse.

Foto: Jordan Villas
Emocionada, a cantora também refletiu sobre sua trajetória na música e a importância de seguir fiel aos próprios princípios. “É um alívio estar aqui ainda, fazendo música, em atividade. É muito difícil se manter sendo quem a gente é e defendendo aquilo em que acredita. Independentemente do que se imagina sobre sucesso, sou muito grata por tudo que vivi. Sou feliz com o que me foi dado. Chegar até aqui. É um alívio, uma alegria“, finalizou.