A CAIXA Cultural Salvador recebe, entre os dias 27 e 28 de junho e de 30 de junho a 4 de julho, o espetáculo “Fim de Partida”, clássico do dramaturgo irlandês Samuel Beckett protagonizado por Marco Nanini. Com direção de Rodrigo Portella, a montagem reúne ainda Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França em uma tragicomédia que aborda relações de dependência, jogos de poder e reflexões sobre a condição humana.
Escrita nos anos 1950 sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, a peça se passa em um cenário pós-apocalíptico e acompanha Hamm, personagem de Marco Nanini, e Clov, interpretado por Guilherme Weber, confinados em um ambiente claustrofóbico. Entre violência, crueldade cotidiana e profunda dependência emocional, os dois conduzem a narrativa em uma realidade marcada pela espera e pelo esgotamento das relações humanas. Helena Ignez e Ary França completam o elenco.
Quase sete décadas após sua criação, a obra segue dialogando com questões contemporâneas ao abordar temas como autoritarismo, desgaste social e repetição das estruturas de poder. “Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite”, afirma Marco Nanini. O ator conta que já desejava explorar o universo do autor irlandês e aceitou o convite de Guilherme Weber para dividir a cena nesta montagem. Os dois já trabalharam juntos em produções como “Os Solitários” e “A Morte do Caixeiro Viajante”.

Helena Ignez e Ary França | Foto: Fernando Young
A encenação de Rodrigo Portella propõe diferentes camadas de leitura para o texto de Beckett. Além da relação simbiótica entre Hamm e Clov, o diretor destaca uma dimensão política da obra, na qual Hamm surge como uma figura tirânica e Clov representa o corpo submetido a uma engrenagem sem sentido. A montagem também explora o metateatro por meio da cenografia de Daniela Thomas, que cria um palco dentro do palco e reforça o caráter autorreferente da peça.
O espetáculo estreou em abril deste ano, em São Paulo. A equipe criativa reúne profissionais que acompanham a trajetória de Marco Nanini há décadas, como Daniela Thomas, responsável pela direção de arte e cenografia, o iluminador Beto Bruel, o figurinista Antonio Guedes e o produtor Fernando Libonati. A trilha original e a direção musical são assinadas por Federico Puppi.
Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) e estarão à venda a partir de 23 de junho, às 12h, pela plataforma Sympla. Mais informações podem ser obtidas no perfil @caixaculturalsalvador.