Um dos pratos mais tradicionais da culinária baiana acaba de ganhar reconhecimento internacional. O bobó de camarão ficou entre as cinco melhores receitas com camarão do mundo em ranking divulgado pelo TasteAtlas, plataforma especializada em gastronomia e destinos culinários. A lista foi publicada há cinco dias e integra o levantamento global referente ao mês de junho.
Originário da Bahia, o prato conquistou a quinta colocação. Em sua descrição, o TasteAtlas destaca a combinação de camarão, purê de mandioca, leite de coco e azeite de dendê, ingredientes que dão origem à textura cremosa e ao sabor marcante que transformaram o bobó em um dos símbolos da culinária brasileira.
As primeiras posições ficaram com receitas do México e da Espanha. O primeiro lugar foi ocupado pelo “tacos gobernador”, tradicional taco recheado com camarão. Na segunda colocação aparece o “camarones al mojo de ajo”, prato mexicano preparado com alho.
A Espanha emplacou duas receitas no ranking: as “gambas al ajillo”, em terceiro lugar, e as “gambas a la plancha”, na quarta posição.
Presença constante nos cardápios de restaurantes baianos e nas mesas durante reuniões familiares e celebrações, o bobó de camarão reforça, mais uma vez, a força da gastronomia da Bahia no cenário internacional.

Bobó de camarão fica entre as 5 melhores receitas com camarão do mundo
Como surgiu o bobó de camarão:
O bobó de camarão é um dos pratos mais emblemáticos da culinária baiana e nasceu do encontro entre tradições indígenas, africanas e portuguesas.
A origem do prato está ligada aos povos indígenas brasileiros, que já utilizavam a mandioca como base da alimentação muito antes da chegada dos colonizadores. Preparações feitas com aipim (mandioca-mansa) amassado ou transformado em mingaus eram comuns em diversas regiões do país.
Com a forte influência africana na Bahia, especialmente dos povos iorubás e jejes trazidos durante o período escravista, ingredientes como o azeite de dendê e técnicas culinárias africanas passaram a ser incorporados às receitas locais. O resultado foi uma adaptação dos preparos indígenas de mandioca, enriquecidos com leite de coco, dendê e frutos do mar abundantes no litoral baiano.
Muitos historiadores apontam que o bobó tem relação com o prato africano chamado ipetê, um creme preparado com inhame e azeite de dendê. Ao chegar à Bahia, o inhame acabou sendo substituído pela mandioca, mais abundante na região, dando origem ao que conhecemos hoje como bobó.
O camarão foi incorporado posteriormente, aproveitando a fartura do ingrediente no litoral baiano. Com o tempo, a receita se consolidou como um dos símbolos da gastronomia afro-baiana, ao lado do acarajé, vatapá e moqueca.
Hoje, o bobó de camarão é considerado um dos pratos mais representativos da culinária brasileira e uma das maiores expressões da herança cultural da Bahia.
Curiosidade: o nome “bobó” provavelmente deriva de preparações africanas cremosas feitas com tubérculos amassados, embora a origem exata da palavra ainda seja tema de debate entre pesquisadores da gastronomia.