Artistas baianos são selecionados para o 39º Panorama da Arte Brasileira do MAM São Paulo

Artistas baianos são selecionados para o 39º Panorama da Arte Brasileira do MAM São Paulo

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Rafael Ramos / Andrea Tonacci / Marina Schiesari / Clarice Lissovsky

Publicado em 03/06/2026 às 15:42 / Leia em 5 minutos

O Museu de Arte Moderna de São Paulo anunciou os artistas que integrarão o 39º Panorama da Arte Brasileira: Depois que tudo foi dito, uma das exposições mais importantes do calendário das artes visuais no país. Nesta edição, a mostra será comandada pela curadora Diane Lima e contará com a participação de quatro representantes da Bahia: Lita Cerqueira, Oto Ferreira, Rose Afefé e Thaís Muniz.

O evento, que será realizado entre os dias 12 de setembro de 2026 e 24 de janeiro de 2027, marca também o retorno do MAM à sua sede no Parque Ibirapuera, após o período de fechamento provocado pelas obras de reforma da Marquise.

Reconhecido como um dos projetos mais emblemáticos da história do museu e um marco para a arte contemporânea brasileira, o Panorama reunirá nesta edição 33 artistas de 13 estados, contemplando todas as regiões do país e destacando a diversidade de linguagens, narrativas e produções artísticas presentes no cenário nacional.

Entre os nomes confirmados, também estão Allan Weber, Amorí, Ana Claudia Almeida, André Felipe Cardoso, Anti Ribeiro, Arorá, Bárbara Banida, biarritzzz, Carolina Cordeiro, Caroline Ricca Lee, Chacha Barja, Darks Miranda, Emer Freire, Fykyá Pankararu, Gilson Plano, Helô Sanvoy, Iagor Peres, Josi, Jota Mombaça, Kuenan Mayu, Lia D Castro, Marcelo Conceição, Moacir Soares de Faria, Nazas, Osvaldo Gaia, Rafael Chavez, Rayana Rayo, Rodrigo Cass e Ygor Landarin.

Em sua 39ª edição, o Panorama da Arte Brasileira promete reunir obras e pesquisas que dialogam com questões contemporâneas e com a pluralidade de vozes que compõem a cena artística nacional, consolidando o evento como uma das principais vitrines da arte brasileira. “Trata-se da mais importante e histórica plataforma de pesquisa sobre a arte brasileira contemporânea”, define a curadora Diane Lima.

 

Sobre os artistas baianos

Natural de Salvador, a fotógrafa Lita Cerqueira é amplamente reconhecida por registrar a cultura negra brasileira. Tendo iniciado sua produção aos dezenove anos como autodidata, a artista trabalhou em laboratórios de revelação e fotografias para imprensa a partir dos anos 1970. O reconhecimento profissional veio a partir da exposição Festas populares da Bahia e arquitetura no centro Histórico de Salvador, em 1976. Suas produções registram, além de temas ligados à cultura negra, o convívio com o movimento Tropicália e artistas como Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gal Costa. Teve atuações relevantes no cinema, como fotógrafa de cena e em alguns filmes como atriz, ao lado de diretores como Glauber Rocha, Neville de Almeida, Nelson Pereira dos Santos, entre outros. Participou da Revista Zum #20, do Instituto Moreira Salles (2021), e entre suas exposições recentes destacam-se Ofício: Luz: Lita Cerqueira: Direito de Olhar, no Sesc Pompéia, São Paulo (2026), e A Fotografia como Eu Sou, na Pinacoteca de São Paulo (2009).

O artista, luthier e violinista Oto Ferreira nasceu no município Serrinha e desenvolve um importante trabalho de pesquisa voltada ao uso da madeira e aos ofícios ancestrais. Em sua dimensão prática e ideológica, utiliza materiais provenientes de podas, trocas e construções, aos quais devolve ritmo, cor e textura. Suas esculturas, combinadas à pintura, formam paisagens abstratas, motivadas pelo cotidiano e pelo sagrado afro-brasileiro. Em 2025, realizou residência artística na Domo Damo, em São Paulo. Entre as exposições recentes que participou, destacam-se a individual Àjò, na Galeria Verve, São Paulo (2025), e as mostras coletivas Novo Lote, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia, Salvador (2024), e Encruzilhada, no Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador (2022).

Rose Afefé nasceu em Varzedo e trabalha com suportes diversos, incluindo instalação, pintura e fotografia. Iniciou em 2018 a construção da obra Terra Afefé, uma micro cidade em escala humana construída com terra, utilizando a técnica do adobe (tijolo de barro cru) e pintada com cal. Situada na zona rural de Ibicoara, Bahia, na região da Chapada Diamantina, Terra Afefé se apresenta como um lugar de encontro e convivência, que relaciona arte e vida e fomenta perspectivas locais a fim de potencializar os saberes do território. A observação e a interação com a natureza são empregadas para conduzir produções de vida mais pulsantes e espontâneas.

Thaís Muniz nasceu em Feira de Santana e é mestra em Arte e Pesquisa Colaborativa pelo Dún Laoghaire Institute of Art, Design and Technology, Dublin, Irlanda. Seu trabalho transita por múltiplas linguagens para investigar as interseções entre identidades herdadas e adquiridas, memória, trânsito, e o amor interior como metodologia de cuidado radical. A partir de um engajamento crítico com a geografia cultural dos lugares que atravessa, orienta seu trabalho para a comunidade e o desdobra em processos de aprendizado coletivo, como workshops, performances, instalações e filmes. Sua produção também abrange fotografia, celebrações, esculturas e ativações, incorporando memorabilia e simbologia. Entre as exposições recentes em que participou, destacam-se a individual Rites of Care, Curse and Comfort, no Sirius Arts Centre, Irlanda (2024), e a coletiva Reshape, no Cork Printmakers Studio Gallery (2024), Irlanda.

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