O Governo da Bahia publicou no Diário Oficial desta quinta-feira (22) o resultado da licitação para contratação da empresa responsável pela elaboração do projeto executivo de restauração do Terreiro Ilê Maroiá Láji, conhecido como Terreiro Alaketu, um dos mais tradicionais templos de matriz africana do Brasil. Reconhecido como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 2005, o espaço fica no bairro do Matatu, em Salvador.
A vencedora da licitação foi a LCN Arquitetura LTDA, com proposta de R$ 262,5 mil. O prazo para execução dos serviços será de 180 dias corridos, contados a partir da emissão da Ordem de Serviço. O cronograma prevê etapas com pagamentos condicionados à aprovação técnica de cada fase.
A contratação inclui estudos preliminares, pesquisa histórica e levantamentos físicos, cadastrais, topográficos, florísticos e iconográficos. Também estão previstos serviços de prospecção arquitetônica, estrutural, arqueológica e de instalações, além de diagnóstico sobre o estado de conservação do imóvel.
O escopo contempla ainda anteprojeto e projetos executivos de arquitetura, envolvendo restauro e novas edificações, paisagismo, comunicação visual, estruturas, instalações e luminotécnica, entre outros itens.
A iniciativa integra o chamamento público do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), no eixo Infraestrutura Social e Inclusiva, subeixo Cultura, voltado à preservação do patrimônio cultural brasileiro. Os processos licitatórios são conduzidos pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).
Na semana passada, o governo também divulgou o resultado da licitação para elaboração do projeto de restauração do antigo prédio da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no Terreiro de Jesus, no Centro Histórico de Salvador. A empresa vencedora foi a DOMO Arquitetura Engenharia e Projetos Culturais Ltda.
Localizado na Rua Luiz Anselmo, no Matatu, o Terreiro Ilê Maroiá Láji é considerado um dos mais antigos terreiros de candomblé em funcionamento no país, com origens ligadas à tradição nagô-queto. A fundação é atribuída à africana Otampê Ojarô, também conhecida como Maria do Rosário Régis, apontada como descendente da família real de Ketu, antigo reino situado na atual região do Benim.
Segundo registros históricos, Otampê Ojarô foi escravizada ainda criança, conquistou a liberdade e fundou o terreiro em Salvador. Ao longo da história, a casa passou por seis gerações de lideranças. Entre os nomes de maior destaque está Olga Francisca Régis, a Olga de Alaketu (1925–2005), quarta ialorixá do terreiro, que comandou a instituição por 57 anos e teve atuação reconhecida nacionalmente na valorização das religiões de matriz africana.