O tradicional monumento ao Independência da Bahia, localizado no Campo Grande, em Salvador, passa por um amplo processo de limpeza e restauração que deve durar cerca de dois meses. Considerado um dos mais importantes símbolos históricos da capital baiana, o monumento ao Dois de Julho recebe intervenções especiais para recuperar estruturas de mármore, bronze e ferro fundido.
Inaugurado em 1895, o conjunto escultórico foi criado pelo artista italiano Carlo Nicoli y Manfredi e possui 25,86 metros de altura. No topo, a escultura de um indígena armado com arco e flecha representa a identidade do povo brasileiro na luta pela independência.
O trabalho está sob responsabilidade do restaurador José Dirson Argolo, professor aposentado da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, que atua há cerca de 30 anos na recuperação de monumentos públicos da cidade em parceria com a Fundação Gregório de Mattos.

Restauração de monumentos em Salvador envolve técnicas especiais de limpeza e proteção das peças
Segundo Dirson, o processo começa pela limpeza química das esculturas de bronze e das partes em mármore, utilizando escovas especiais, água destilada e sabão neutro.
“Quando as peças de bronze estão muito escurecidas e esverdeadas, fazemos primeiro uma limpeza química, depois uma limpeza com microesfera de vidro, que é uma técnica italiana”, explicou o restaurador.
Após a limpeza, é aplicada uma camada de verniz especial à base de Paraloid B72, resina acrílica importada utilizada para proteger o bronze contra oxidação e desgaste provocado pela salinidade e pela umidade típicas de Salvador.
A restauração também inclui remoção de vegetação, troca de rejuntes deteriorados, recuperação de luminárias e gradis, além de correções em peças danificadas pelo tempo e pelo vandalismo.
Segundo o restaurador, um dos principais desafios enfrentados pela conservação do patrimônio histórico da cidade é justamente a ação do tempo somada aos atos de depredação e furtos.

Restauração de monumentos em Salvador envolve técnicas especiais de limpeza e proteção das peças
“O ideal seria repor todas essas peças em bronze, mas sabemos que, se repusermos em bronze, essas peças provavelmente serão roubadas novamente”, lamentou Dirson ao comentar casos como o da escultura Gandhi Andante, na Praça da Inglaterra, que teve partes furtadas recentemente.
A manutenção dos monumentos públicos da capital é acompanhada pela Gerência de Patrimônio Cultural da FGM, com apoio da Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador e da Secretaria Municipal de Manutenção.