Salvador será sede, pela primeira vez, do Encontro de Pesquisas em Gastronomias do Brasil (ENPEGASTRO), que chega à sua quinta edição entre os dias 8 e 12 de junho. Integrando as celebrações pelos 80 anos da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o evento terá atividades inéditas tanto dentro da universidade quanto em espaços públicos da capital baiana, como Pelourinho, Mouraria e Feira de São Joaquim.
Com o tema “Gastronomias, corpos-territórios das mãos, dos contos e dos mundos”, o encontro propõe discutir os saberes, memórias e práticas que atravessam a alimentação brasileira, com atenção especial à gastronomia baiana. Vinculado ao Departamento de Gastronomia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o ENPEGASTRO acontece este ano em parceria com a UFBA, anfitriã da edição.
A proposta do evento é ampliar o entendimento contemporâneo da gastronomia, valorizando diferentes territórios, tradições e modos de fazer, para além da lógica centrada nos restaurantes e na alta cozinha. Comunidades quilombolas, povos indígenas e práticas alimentares populares também fazem parte das discussões.
“Gastronomias” aparece no plural justamente para reforçar essa diversidade. “Ao adotar a multiplicidade como substantiva, também rompemos com a falsa ideia de hierarquia entre alta e baixa cozinha e reconhecemos uma construção polifônica, em que distintas tradições e contextos têm o mesmo valor”, explica a coordenadora geral do ENPEGASTRO e professora do Departamento de Gastronomia da UFRJ, Cláudia Mesquita Pinto Soares.
Segundo a pesquisadora, a edição deste ano busca destacar “as sensibilidades desses corpos que cozinham e carregam memória”. Ainda de acordo com ela, “importa saber quem são eles e onde eles estão, entendendo que quando a gente cozinha, a gente cozinha com o corpo todo, envolvendo todo o plano da sensibilidade, não apenas dos nossos corpos, mas dos nossos espaços, dos nossos territórios, das nossas memórias, das nossas histórias e de todo o componente social que está envolvido quando pensamos em gastronomia”.
A programação inclui mostra artística e cultural no Espaço Cultural da Barroquinha, durante a abertura do encontro, além da Conferência Magna marcada para 11 de junho, na Reitoria da UFBA, com o tema “O Centenário de Manuel Querino: a arte culinária na Bahia como semente do futuro”.
Outro destaque são as “andanças” por diferentes territórios de Salvador, passando pela Feira de São Joaquim, Mercado do Rio Vermelho, Pelourinho, Santo Antônio, Saúde, Mouraria e pela Feira Agroecológica da UFBA. “As compartilhanças e as andanças são partes fundamentais do nosso evento, o que nos convida a viver as diversas paisagens e mesas de Salvador. É um evento para a gente experimentar, colocar o corpo no jogo da experimentação, sentir, chegar junto, conversar”, reforça a organização do ENPEGASTRO.
Pela primeira vez, o encontro também terá apresentação de relatos em áudio enviados por pessoas de diferentes regiões do Brasil sobre suas relações com as gastronomias. “Nossa intenção é chegar mais perto dos territórios, principalmente os mais distantes das áreas urbanas, para entender que gastronomias são essas feitas por esses corpos que não estão dentro de restaurantes e de espaços comerciais; mas sim em territórios sobre os quais ainda sabemos pouco”, afirma Cláudia.
Além das atividades acadêmicas, o evento contará com lançamentos abertos ao público dos livros “Gastronomias: movimentos no campo científico”, de Cláudia Mesquita Pinto Soares; “Comida de origem: Educação, gastronomia, empreendedorismo e sustentabilidade”, de Ivan Bursztyn e Maria Eliza Assis dos Passos; e “Gastronomia Encruzilhada – Tecnologias de afrobrasilidades em alimentação”, de Lourence Alves.
Inscrições e programação completa: acesse aqui.