Escolas proíbem troca de figurinhas do álbum da Copa do Mundo: medida divide opiniões

Escolas proíbem troca de figurinhas do álbum da Copa do Mundo: medida divide opiniões

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 15/05/2026 às 14:39 / Leia em 3 minutos

A corrida para completar o álbum da Copa do Mundo voltou a ocupar o cotidiano de milhares de crianças, mas também passou a gerar preocupação em escolas. Com a ampliação do torneio de 32 para 48 seleções, a quantidade maior de figurinhas tornou as trocas ainda mais frequentes, levando instituições de ensino a adotar restrições ou até proibições para evitar impactos nas atividades pedagógicas.

Em escolas da Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, funcionários receberam orientação para impedir trocas dentro das salas de aula. Em uma das unidades, estudantes flagrados com os chamados “bolos” de figurinhas têm o material recolhido até o horário da saída.

Outra medida foi adotada pelo Colégio Marista São José, onde a troca de cromos passou a ser autorizada apenas durante o intervalo, segundo comunicado interno divulgado pelo blog do Ancelmo Gois.

Já uma escola da Barra da Tijuca informou às famílias que, apesar de reconhecer benefícios sociais na prática, as trocas têm causado interferências no ambiente escolar. As informações foram divulgadas pelo site Extra.

“Temos observado que a dinâmica das trocas durante o período escolar tem interferido nas atividades pedagógicas e gerado situações de frustração e conflitos”, informou a direção no comunicado. A escola também pediu aos pais que não permitam que os filhos levem álbuns e figurinhas. “Contamos com a compreensão e parceria de todos”.

Fora do Rio, algumas instituições adotaram medidas mais rígidas. Em Pará de Minas, uma escola estadual proibiu totalmente as trocas. Em publicação nas redes sociais, a direção justificou a decisão:

“Esses itens não constituem material escolar e a prática de trocas tem gerado conflitos e dispersão dos estudantes”.

A instituição acrescentou: “A escola não se responsabiliza por perda, dano ou extravio desses materiais”.

No Distrito Federal, outra escola apontou preocupações relacionadas a trocas consideradas desiguais, circulação de dinheiro para compra de figurinhas e desaparecimento ou roubo dos cromos.

Apesar disso, algumas instituições enxergam potencial educativo na prática. Em determinados casos, professores utilizam o álbum como ferramenta de ensino. Uma unidade do Colégio Pedro II já incorporou as figurinhas da Copa em atividades pedagógicas.

O tema divide opiniões entre famílias, escolas e especialistas. Enquanto algumas direções defendem restrições para preservar o rendimento escolar, há quem considere a troca de figurinhas uma oportunidade de aprendizagem em áreas como geografia, matemática, negociação e resolução de conflitos.

A psicóloga e doutora em psicanálise Carolina Nassau Ribeiro destacou à revista Crescer a relevância social da prática para crianças e adolescentes.

“Os jovens estão precisando de encontros presenciais e de trocas. A febre do álbum não se relaciona apenas à paixão pelo futebol, mas também implica em pertencer a algo, em ter um projeto compartilhado e ser reconhecido por um grupo”, afirmou a especialista.

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