O tradicional Bembé do Mercado começou nesta quarta-feira (13), em Santo Amaro, no Recôncavo baiano, reunindo rituais religiosos, manifestações culturais e atividades voltadas à valorização da ancestralidade afro-brasileira. Em 2026, a celebração completa 137 anos e segue até domingo (17).
Considerado o maior candomblé de rua do mundo, o Bembé é reconhecido como Patrimônio Imaterial da Bahia e Patrimônio Cultural do Brasil. A programação inclui xirês, rodas de conversa, palestras, oficinas e apresentações culturais, com apoio da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA), por meio do projeto Agô Bahia.
A cerimônia de abertura homenageou Xangô, divindade associada à justiça, e reuniu autoridades, lideranças religiosas e representantes do movimento negro.
“É gratificante ter esse reconhecimento, de quem representa a força de um povo que transformou dor em cultura, fé e dignidade”, afirmou Paulo Sobrinho, coordenador do projeto Agô Bahia.
Criado em 1889, um ano após a abolição da escravatura, o Bembé surgiu quando filhos e filhas de santo liderados por João de Obá realizaram um culto público sem autorização das autoridades da época. Desde então, a celebração tornou-se símbolo de resistência e preservação da cultura afro-brasileira.
Além da importância religiosa e cultural, o evento também impulsiona o afroturismo na região. Segundo representantes do setor hoteleiro local, a cidade já registrava ocupação máxima nos meios de hospedagem antes mesmo do início da programação.
Entre as atrações culturais confirmadas estão o Filhos de Gandhy, o Malê Debalê, a Filarmônica Filhos de Apolo e a manifestação quilombola Nego Fugido.