A investigação começou após representação da deputada Tabata Amaral, que acusa Frias de destinar ao menos R$ 2 milhões à ONG Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por Karina Ferreira da Gama, também responsável pela produtora Go Up Entertainment, que realiza o filme.
Segundo os autos da ADPF 854, oficiais de Justiça foram ao gabinete de Frias na Câmara ao menos três vezes entre março e abril, mas assessores informaram que o deputado estaria em São Paulo, em compromissos de campanha, sem detalhar sua agenda.
A denúncia foi motivada por reportagem do The Intercept Brasil, publicada em dezembro de 2025, apontando que a ANC recebeu R$ 2,6 milhões em emendas de parlamentares do PL, incluindo Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. Tabata argumenta que diferentes empresas e entidades ligadas a Karina poderiam formar um grupo econômico usado para dificultar a rastreabilidade do dinheiro público.
Bia Kicis e Pollon responderam ao STF dentro do prazo. Pollon afirmou ter destinado R$ 1 milhão para um projeto audiovisual chamado Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem, mas disse que os recursos foram depois redirecionados ao Hospital de Amor, em Barretos (SP), porque o projeto não avançou.
Bia Kicis confirmou uma emenda de R$ 150 mil para a mesma série, mas negou qualquer relação com Dark Horse. A deputada classificou a denúncia como “maldosa” e afirmou que apoiar o projeto foi uma “decisão política” voltada ao incentivo cultural e audiovisual.
A Advocacia da Câmara informou ao STF que não encontrou irregularidades processuais nas emendas de Mário Frias citadas por Tabata.
Nesta quarta-feira (13), nova reportagem do The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro teria pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro cerca de R$ 134 milhões para financiar Dark Horse. Segundo a publicação, ao menos R$ 61 milhões teriam sido liberados.
Áudios divulgados mostram Flávio mencionando a necessidade urgente de recursos para quitar “parcelas para trás” do filme. As conversas ocorreram pouco antes da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras envolvendo os bancos Master e BRB.
Em nota, Mário Frias negou qualquer participação societária de Flávio Bolsonaro no filme e afirmou que Dark Horse não recebeu “nem um único centavo” do Banco Master ou de Vorcaro. O deputado disse ainda que a produção é uma “superprodução em padrão hollywoodiano”, financiada integralmente com capital privado.