A Prefeitura de Salvador vem ampliando a presença feminina no sistema de transporte público da capital por meio do programa Mulheres no Volante, iniciativa da Secretaria Municipal de Mobilidade (SEMOB) voltada à formação e inserção de mulheres na operação de ônibus urbanos. Entre 2024 e 2025, o número de mulheres matriculadas no programa dobrou, contribuindo para um aumento de 130% no quadro de motoristas mulheres no sistema.
A iniciativa, que também atende mulheres em situação de vulnerabilidade social e sobreviventes de violência doméstica, será apresentada nesta quarta-feira (13) e quinta (14), em Brasília, durante o evento “Mulheres no Transporte – Trajetórias que Inspiram”, que reúne gestores públicos, especialistas e representantes do setor para discutir a ampliação da participação feminina em uma área historicamente dominada por homens.
Os números evidenciam a mudança em curso no setor. Em 2023, Salvador registrava apenas 12 mulheres atuando como motoristas de ônibus, o equivalente a 0,33% do total de condutores do sistema, um dos menores índices de participação feminina entre cidades de referência no país.
Criado para ampliar o acesso das mulheres ao transporte coletivo, o programa oferece suporte para mudança da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) da categoria B para a D, além de capacitação específica para condução de ônibus em parceria com o SEST SENAT. O avanço também impulsionou o crescimento da participação feminina em áreas de manutenção e em cargos de liderança dentro do sistema.
“Salvador tem construído uma política pública de mobilidade que também é uma política de inclusão, oportunidade e transformação social. Estamos ampliando o acesso das mulheres a profissões historicamente masculinas, garantindo formação, qualificação e geração de renda, mas, sobretudo, abrindo portas para espaços e oportunidades que muitas vezes demorariam muito mais para chegar”, destaca a vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos.
O Mulheres no Volante conta com apoio do Programa Mutirão Brasil, iniciativa do C40 Cities e do GCoM voltada ao fortalecimento de políticas de mobilidade sustentável, inclusão social e geração de oportunidades para mulheres. A estratégia também está ligada a projetos estruturantes da capital, como a eletrificação da frota de ônibus, a expansão da infraestrutura de recarga e o fortalecimento da mobilidade ativa e da caminhabilidade.
Com metas previstas até 2028, o programa pretende alcançar 30% de participação feminina em áreas operacionais e de gestão do transporte público, além de estimular a contratação de 40% das mulheres formadas pela iniciativa. A proposta inclui ainda ações voltadas à segurança, acolhimento e permanência das profissionais no setor.