Um dos destaques da novela Dona Beja, o ator baiano Ricardo Burgos tem comemorado a repercussão positiva da produção, que segue conquistando o público ao redor do mundo. Três meses após o lançamento da trama no streaming, o artista não esconde que tem sido especial fazer parte de um movimento em que as telenovelas vêm conquistando um novo público.
Na trama, Ricardo interpreta Botelhinho, jornalista herdeiro de uma tradicional fazenda de Araxá que vive em conflito com o pai e acaba expondo os romances e aventuras de Beja, personagem de Grazi Massafera.
Em entrevista ao Alô Alô Bahia, Ricardo abriu o coração sobre os bastidores de Dona Beja e falou sobre sua trajetória no mercado internacional, onde já estrelou a novela Terra Forte, em Portugal, além de atuar em diversas produções em inglês.
“Foi minha primeira novela como parte do elenco principal, mas eu já tinha feito algumas outras com participações pontuais na Globo. Quando surgiu Dona Beja, fui chamado para fazer a bateria de testes, que durou cerca de dois ou três meses, até que, enfim, fui escolhido para interpretar o Botelhinho”, contou.

Ricardo Burgos como Botelhinho na novela Dona Beja (Foto: Reprodução/HBOMAX)
Morando atualmente no Rio de Janeiro, Ricardo contou que mantém uma relação afetiva forte com Salvador, cidade onde nasceu. “Minhas raízes estão aqui, minha família, meus amigos. Amo voltar para Salvador”, declarou.
Confira a entrevista completa:
– Você tem uma carreira que se divide entre o cenário nacional e o internacional. Como surgiu o convite para Dona Beja? Foi sua primeira novela no Brasil?
Foi minha primeira novela como parte do elenco principal, mas eu já tinha feito algumas outras com participações mais pontuais na Globo. Já havia trabalhado com a Floresta (braço da Sony no Brasil) em uma série da Globoplay chamada Rio Connection, então ali se firmou uma relação. Quando surgiu Dona Beja, fui chamado para fazer a bateria de testes, que durou cerca de dois ou três meses, até que, enfim, fui escolhido para interpretar o Botelhinho.
– Dona Beja caiu nas graças do público e se tornou um sucesso na HBO Max. Como tem sido acompanhar essa repercussão, principalmente depois de tantos anos desde as gravações?
Receber o carinho do público é sempre muito precioso. Terminamos de gravar tudo em maio de 2024, então foram quase dois anos até a estreia. O elenco inteiro estava muito ansioso por esse momento e ficamos muito felizes com o resultado. Fico muito feliz que temas tão importantes, levantados nessa releitura da obra, tenham sido tão bem recebidos.
– Dona Beja teve várias mudanças em relação à sua versão original, principalmente por ser um projeto voltado para o streaming. Como foi fazer parte dessa nova forma de produzir e consumir novelas no Brasil?
Pra mim, é uma honra fazer parte dessa história e desse movimento. Isso fortalece o mercado de trabalho e amplia as oportunidades para todo o setor. Espero que o investimento continue crescendo no Brasil e que o PL dos streamings, que está em tramitação, seja logo aprovado. É importante ver a cultura sendo valorizada no país, e torço para que a gente siga avançando rumo à potência que podemos e merecemos ser.
– Sei que você também atua em Portugal, existe alguma diferença entre trabalhar em novelas brasileiras e produções internacionais. O público brasileiro interage mais?
Fiz minha primeira novela em Portugal no ano passado, fiquei seis meses lá. Foi uma experiência muito importante pra mim. Tive a oportunidade de fazer uma novela longa do início ao fim, como um dos antagonistas da trama, e foi um aprendizado maravilhoso. Aprendi ainda mais sobre o fazer novela.
Sobre as diferenças no dia a dia, pra ser bem sincero, não vi muitas. A principal está na escala: Portugal é um país menor e, por consequência, produz menos do que o Brasil. Mas, em termos de qualidade do produto final, não deixa nada a desejar.
Na minha experiência, o público brasileiro ainda não se aproxima tanto das produções portuguesas. Até porque não é fácil acessar o que está sendo feito lá. A novela em que trabalhei, por exemplo, foi exibida no Prime, mas não ficou disponível no Brasil, apenas no streaming da própria TVI, que cobra em euro. Ou seja, não é algo muito acessível.
Além disso, o público brasileiro consome muito mais novelas nacionais do que qualquer outra coisa. Agora começa a haver uma abertura maior para produções de outros países, mas, ainda assim, a maioria esmagadora segue consumindo o que é feito aqui.
– Há novos projetos a caminho? Conte um pouco sobre como está sua agenda, principalmente após o sucesso de Dona Beja.
Agora estou em conversas sobre alguns projetos que devem se definir nos próximos meses. Ainda não posso adiantar nada, mas espero que tudo se concretize em breve.
– Onde você mora atualmente? Vi que esteve em Salvador recentemente, como funciona sua rotina de visitas à Bahia. Demora muito para voltar?
O Rio hoje é a minha casa, já há algum tempo. Amo voltar a Salvador, é algo de que eu preciso. Minhas raízes estão aqui, minha família, meus amigos de longa data. Adoraria voltar mais vezes, mas nem sempre consigo.
– Quando está em Salvador, o que costuma fazer? Quais são os lugares de que mais gosta para curtir a cidade?
Eu sou muito caseiro, então costumo receber amigos em casa e vou muito à praia surfar. Minha vida em Salvador é bem pacata, e eu gosto desse sossego. Quando saio, o que é raro, vou ao Carmo ou ao Rio Vermelho.