O artista visual baiano Ayrson Heráclito é um dos destaques da 61ª edição da Bienal de Veneza, que será aberta ao público neste sábado, dia 9 de maio. O curador apresenta uma grande instalação no espaço do Arsenale com a série batizada de “Juntós”. A obra propõe um mergulho profundo na cosmopercepção afro-brasileira e ocupa um dos ambientes da mostra principal do evento internacional.
O conceito do projeto tem origem nas raízes do Candomblé e descreve a união sagrada entre dois orixás, um principal e outro complementar, que moldam a personalidade e o destino de cada indivíduo. A instalação reúne desenhos e esculturas em aço inoxidável que reimaginam as ferramentas sagradas do panteão africano.
O trabalho explora visualmente mais de 200 combinações possíveis entre os 16 orixás principais cultuados no Brasil e conta com poemas oriki para invocar as energias presentes nas composições.

Foto: Reprodução/Instagram

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A série integra a mostra “In Minor Keys”, com curadoria de Koyo Kouh, e funciona como uma reverência ao pioneirismo de Mestre Didi na introdução de perspectivas afrocentradas na arte contemporânea nacional.
A 61ª Exposição Internacional de Arte da La Biennale di Venezia ocorre até o dia 22 de novembro de 2026 nos espaços dos Giardini, do Arsenale e em diversos locais espalhados pela cidade italiana.
O artista nascido no ano de 1968 concentra o seu trabalho nas matrizes culturais afro-brasileiras e nas conexões com a diáspora nas Américas. A trajetória de Ayrson inclui participações na 35ª Bienal de São Paulo, em 2023, na 57ª Bienal de Veneza, em 2017, e na Bienal de Havana, em 2025.
O pesquisador possui doutorado em Comunicação e Semiótica, atua como professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e ocupa o posto de Ogã Sojatin na tradição Jeje Mahi, em Salvador.