Livro revela bastidores das viagens de Jorge Amado à China com fotos de Zélia Gattai

Livro revela bastidores das viagens de Jorge Amado à China com fotos de Zélia Gattai

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Acervo da Fundação Casa de Jorge Amado

Publicado em 02/05/2026 às 15:37 / Leia em 2 minutos

Um conjunto de imagens raras de três viagens de Jorge Amado à China vai virar um livro-catálogo em desenvolvimento pela Fundação Casa de Jorge Amado, reunindo fotografias feitas por Zélia Gattai entre as décadas de 1950 e 1960. Companheira de vida e de percurso do autor, a também escritora registrou com olhar sensível momentos dessas jornadas, algumas delas compartilhadas com nomes centrais da literatura mundial, como Pablo Neruda.

O livro nasce de uma pesquisa detalhada no acervo da Fundação, considerado um dos mais relevantes do país. Com o projeto gráfico já finalizado, a iniciativa entra agora na fase de captação de recursos para viabilizar a publicação, aberta a apoiadores interessados em contribuir com a preservação e difusão desse patrimônio.

A obra será lançada pela Casa de Palavras, braço editorial da instituição, como parte das comemorações pelos 40 anos da Fundação, iniciadas recentemente e previstas até março de 2027. O lançamento será acompanhado por uma exposição das fotografias no casarão azul do Pelourinho, sede da entidade, segundo Angela Fraga, presidente da Fundação, em contato com o Alô Alô Bahia.

Criada em 2 de julho de 1986 e aberta ao público em março do ano seguinte, a Fundação se consolidou como um espaço vivo de memória e produção cultural, indo além da guarda documental ao promover o diálogo entre literatura, cotidiano e identidade baiana. A trajetória de Jorge Amado, marcada pela forte conexão com o povo brasileiro e pela circulação internacional de sua obra, segue como um dos pilares dessa atuação.

A dimensão global do autor inclui um capítulo curioso na história editorial da China. Em um contexto de forte censura política e de costumes, foi justamente o romance “Dona Flor e Seus Dois Maridos” que, em 1987, surpreendeu o meio literário local ao driblar as restrições e chegar às livrarias do país, apesar de seu conteúdo considerado ousado. Décadas depois, a abertura gradual do mercado editorial chinês volta a chamar atenção com o retorno de obras antes banidas, como “A Metamorfose”, de Franz Kafka.

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