O que a goleada para o Remo escancarou no Bahia de Rogério Ceni

O que a goleada para o Remo escancarou no Bahia de Rogério Ceni

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 26/03/2026 às 17:09 / Leia em 6 minutos

A derrota por 4 a 1 para o Remo, no Mangueirão, não foi apenas um tropeço pesado do Bahia na 8ª rodada do Brasileirão. O jogo ganhou um peso maior porque o Tricolor saiu na frente, controlou boa parte do primeiro tempo e, ainda assim, desabou de forma difícil de explicar depois de perder o rumo da partida. O placar tirou o Remo da lanterna e deixou no Bahia uma sensação de alerta que foi além do resultado.

A derrota em Belém ganhou um peso ainda maior porque o Bahia não foi dominado desde o início nem passou a impressão de que seria atropelado pelo Remo. O time de Rogério Ceni saiu na frente, teve momentos de controle e parecia caminhar para um jogo administrável, cenário que até quem usou o Código de indicação KTO para palpitar no confronto poderia considerar plausível antes da virada e da goleada no segundo tempo.

A crítica do treinador foi direta. Ceni afirmou que o time “não tem personalidade para chegar lá no topo” e classificou como “inaceitável” a mudança de comportamento da equipe depois do 1 a 0. Na leitura dele, o Bahia foi um time até os 35 minutos do primeiro tempo e outro completamente diferente dali em diante, sem força mental para lidar com a própria vantagem e muito menos para reagir quando o jogo virou.

O placar foi pesado, mas a forma da derrota pesou mais

O ponto mais duro para o Bahia não esteve apenas na goleada. O time começou melhor, criou as principais chances e abriu o placar com Everaldo. Até ali, a leitura era de um visitante seguro, em controle e confortável diante de um Remo que vinha pressionado e ocupava a lanterna do campeonato. Só que o cenário mudou rápido, e o que parecia uma noite administrável virou um colapso coletivo.

O Remo reagiu ainda no primeiro tempo, empatou com Vitor Bueno e voltou do intervalo em rotação muito mais alta. Taliari marcou duas vezes, Jajá completou a goleada, e o Bahia não conseguiu mais reconstruir a própria partida. Houve ainda um pênalti desperdiçado por Luciano Juba, apontado como um dos lances que aprofundaram a queda emocional da equipe. Quando o jogo escapou, o Tricolor não encontrou força para voltar.

Rogério Ceni apontou um problema de personalidade

O discurso de Ceni depois do apito foi o ponto mais marcante do pós-jogo. Ele não colocou a derrota na conta de cansaço ou de uma superioridade técnica do adversário. Para o treinador, o problema foi mental. Segundo sua análise, o Bahia mudou drasticamente de atitude depois de fazer 1 a 0, deixou de jogar com confiança e mostrou que ainda não está preparado, psicologicamente, para disputar a parte de cima da tabela.

Essa leitura pesa porque toca em um tema que costuma separar times competitivos de times realmente prontos para brigar em cima. O Bahia não foi dominado desde o início. Ao contrário: teve controle, criou, saiu na frente e parecia mais perto de ampliar do que de sofrer pressão. O que incomodou o treinador foi justamente ver o time perder a própria identidade quando tinha o jogo em mãos.

O resultado expôs fragilidade num momento importante da temporada

A goleada acontece em um momento sensível para o Bahia, porque o clube vinha cercado por expectativas mais altas depois do título baiano e da tentativa de se consolidar em um patamar superior no Brasileirão. Perder fora de casa para um adversário pressionado já seria ruim. Perder dessa forma, depois de abrir o placar e desmoronar emocionalmente, torna o sinal de alerta maior.

Também chama atenção o fato de o jogo ter escancarado uma dificuldade de reação. Depois do empate do Remo, o Bahia não conseguiu mais controlar o ritmo, segurar o impacto nem reconstruir o cenário. Ceni falou em “desastre” no segundo tempo e insistiu que a equipe não pode mudar de postura por causa de um gol feito ou sofrido. É uma crítica que vai além de uma partida ruim: ela aponta para algo estrutural no comportamento do time.

O intervalo sem jogos pode virar chance de ajuste

Se houve algum ponto minimamente favorável para o Bahia depois do tropeço, ele está no calendário. Com a primeira Data Fifa da temporada, o Tricolor só volta a jogar em 1º de abril, contra o Athletico, na Fonte Nova. Isso dá a Rogério Ceni alguns dias para trabalhar o time, recuperar jogadores e tentar corrigir exatamente o que mais o irritou em Belém: a oscilação brusca de atitude no meio de uma partida que parecia sob controle.

Esse tempo tende a ser importante também porque o elenco chegou ao jogo com desfalques e ainda sofreu com a lesão do goleiro Ronaldo durante a partida. Mesmo assim, o discurso do treinador deixou claro que ele não vê o resultado como consequência principal de ausências ou problemas físicos. A cobrança está voltada para maturidade competitiva, leitura de jogo e capacidade de sustentar desempenho quando o contexto muda.

O jogo em Belém pode virar ponto de virada — para o bem ou para o mal

O Bahia ainda está em uma fase da temporada em que tropeços podem ser absorvidos, mas nem toda derrota pesa da mesma forma. Algumas machucam pelo placar. Outras, pela mensagem que deixam. O 4 a 1 para o Remo entra nesse segundo grupo, porque mostrou um time que teve a chance de controlar a noite e terminou atropelado por falhas de comportamento, confiança e reação.

Por isso, o próximo passo do Bahia interessa tanto. Se a equipe conseguir transformar a crítica pesada de Ceni em resposta prática, o jogo no Mangueirão pode virar uma freada útil em março. Mas, se o roteiro voltar a se repetir, a goleada deixará de parecer um acidente isolado e passará a soar como sintoma. E, para um time que quer brigar mais alto, é exatamente esse tipo de dúvida que precisa desaparecer rápido.

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