Antes mesmo da fundação de Salvador, a fé católica já marcava presença no território que viria a se tornar a capital baiana. Um dos principais símbolos disso é a Igreja de Nossa Senhora das Graças, erguida em 1535, no atual bairro da Graça, cerca de 14 anos antes da chegada de Tomé de Souza, responsável pela fundação oficial da cidade, em 1549.
Com quase cinco séculos de história, o templo é considerado o mais antigo do município. No entanto, segundo o padre Jailson dos Santos, doutor em História da Igreja, a definição da “primeira igreja de Salvador” depende do recorte histórico. “Quando a cidade é fundada, a Igreja das Graças já existia, mas estava fora das muralhas. Por isso, naquele período, a primeira igreja reconhecida dentro da cidade foi a Igreja da Ajuda, construída pelos jesuítas”, explica.

Padre Jailson dos Santos, doutor em História da Igreja.
Ainda assim, no contexto atual, a Igreja de Nossa Senhora das Graças ganha o título de mais antiga por anteceder a própria fundação da capital, no período da Capitania da Bahia.
A origem do templo está ligada a uma experiência atribuída a Catarina Paraguaçu, indígena tupinambá e filha do cacique Taparica. Casada com Diogo Álvares Correia, ela teria se convertido ao cristianismo e foi batizada na França, em 1528. Segundo relatos, Catarina teria sonhado com Nossa Senhora, que lhe pediu a construção de uma igreja no local.

Teto da igreja com imagens de Catarina Paraguaçu e Nossa Senhora.
O episódio é considerado um dos primeiros encontros entre culturas indígenas e portuguesas no Brasil. “É a primeira experiência cristã a partir de alguém originário desta terra. Catarina representa essa união que ajudou a formar a identidade de Salvador”, afirma o padre.
Os restos mortais de Catarina estão no interior do templo, que passou por ampliações ao longo dos séculos, mantendo, no entanto, sua estrutura original. A igreja preserva elementos arquitetônicos históricos, com destaque para o altar-mor e detalhes decorativos em ouro, típicos do barroco e do rococó.

Os restos mortais de Catarina estão no interior do templo.
Mais do que um patrimônio religioso, o espaço é visto como parte essencial da memória da cidade. “As igrejas ajudam a contar a própria história de Salvador. São verdadeiros museus da nossa identidade”, completa o sacerdote.
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