A batalha de Preta Gil contra o câncer de intestino nos últimos anos teve um impacto direto na conscientização da população brasileira. Prova disso são os dados divulgados nesta segunda-feira (23), pela campanha Março Azul, que mostram que o número de exames para detecção precoce da doença praticamente triplicou no Sistema Único de Saúde.
De acordo com o levantamento, entre 2016 e 2025, a pesquisa de sangue oculto nas fezes saltou de 1.146.998 para 3.336.561 exames realizados – crescimento de aproximadamente 190%. Já as colonoscopias passaram de 261.214 para 639.924 procedimentos no mesmo período, o que representa um aumento de cerca de 145%.
Em 2025, o maior volume de exames de sangue oculto nas fezes foi registrado em São Paulo, com 1.174.403 testes, seguido por Minas Gerais (693.289) e Santa Catarina (310.391). Já os menores números foram observados no Amapá, Acre e Roraima.
Uma análise preliminar da campanha aponta que a trajetória da doença enfrentada por Preta Gil coincide com a evolução dos dados. Entre o anúncio do diagnóstico da artista, em 2023, e sua morte, dois anos depois, os exames de sangue oculto cresceram 18% no SUS, enquanto as colonoscopias tiveram alta de 23%.
Os números foram reforçados pelo presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Eduardo Guimarães Hourneaux, que destacou o papel de figuras públicas na conscientização sobre a doença.
“Ao tornarem público o diagnóstico de câncer de intestino, diversas pessoas famosas ajudaram a transformar a própria dor em alerta para milhões de outras pessoas. Nomes como Preta Gil, Chadwick Boseman, Roberto Dinamite e outros passaram a falar abertamente sobre sintomas, tratamento e, sobretudo, sobre a importância de não adiar a investigação quando algo não vai bem”, disse.
Segundo ele, cada depoimento público funciona como um lembrete poderoso: o câncer de intestino pode atingir qualquer pessoa, mas as chances de cura aumentam significativamente quando o diagnóstico é feito de forma precoce.
Promovida nacionalmente desde 2021, a campanha Março Azul é organizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).