A diretoria da Warner Bros. Discovery comunicou, nesta quinta-feira (26), que a proposta de compra apresentada pela Paramount superou o acordo vigente com a Netflix.
Com a notificação oficial, a plataforma de streaming tem agora um prazo de quatro dias úteis para melhorar os valores de sua oferta ou abandonar definitivamente a disputa pelo conglomerado de mídia.
A decisão marca a reta final de uma batalha bilionária que redefinirá o equilíbrio de poder em Hollywood, entregando ao vencedor o controle de franquias valiosas como “Game of Thrones”, o universo da DC Comics e uma extensa biblioteca de produções. As ações da Paramount Skydance registraram alta de mais de 1,5% logo após o anúncio do estúdio.
As duas empresas apresentaram propostas com estruturas e escopos diferentes para a aquisição. A Paramount ofereceu US$ 31,00 por ação, totalizando US$ 110 bilhões (valor que inclui as dívidas da empresa), prevendo a aquisição total da WBD e uma multa rescisória de US$ 7 bilhões.
Já a Netflix apresentou uma oferta de US$ 27,75 por ação, somando US$ 83 bilhões. A proposta do streaming exclui os canais a cabo, como CNN e Discovery, e não detalhou o valor de uma possível multa rescisória.
A estratégia da Netflix envolve a separação dos canais a cabo da Warner, que seriam agrupados em uma nova companhia chamada Discovery Global.
A avaliação de mercado dessa nova entidade gera divergências: a Warner estima que as ações da divisão valeriam entre US$ 1,33 e US$ 6,86, enquanto a Paramount defende que o negócio paralelo não teria valor expressivo.
Analistas de mercado apontam que, caso a Paramount eleve sua oferta para US$ 34 por ação, a disputa financeira seria praticamente encerrada.
Caixa, regulação e pressão de investidores
Apesar da desvantagem momentânea, a Netflix encerrou o último ano com cerca de US$ 9 bilhões em caixa, o que garante fôlego financeiro para cobrir o lance da concorrente.
A Paramount, no entanto, argumenta que o seu modelo de aquisição tem mais chances de ser aprovado pelos órgãos reguladores dos Estados Unidos.
Para fortalecer sua posição, a empresa aumentou a multa rescisória do negócio de US$ 5,8 bilhões para US$ 7 bilhões, valor que seria pago caso a fusão seja barrada pelo governo.
A disputa também ocorre sob forte tensão nos bastidores. A Paramount ameaçou intervir na composição do conselho da Warner na próxima assembleia anual caso sua oferta fosse rejeitada.
O movimento ganhou tração com investidores ativistas, como a Ancora Holdings, que acusou publicamente a Warner de não conduzir as negociações de forma adequada.
Em resposta, a administração do estúdio declarou que seu conselho atua pautado pelo melhor interesse da empresa e dos acionistas.