Abadás de foliões e camisas utilizadas por profissionais municipais durante o Carnaval 2026 estão ganhando um novo destino: estão sendo transformadas em cobertores artesanais e mochilas escolares. A iniciativa é realizada pela oficina criativa Upcycling – Reaproveitamento de Resíduos Têxteis.
O projeto beneficia 20 costureiras em situação de vulnerabilidade social e é fruto da parceria entre a Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal (Secis) e a Associação Cultural, Socioambiental e Educacional – Refoliar.

Ação em Salvador transforma abadás e camisas do Carnaval em cobertores e mochilas
Com carga horária de 72 horas, o curso segue até sexta-feira (27), na Instituição Pérolas de Cristo, e garante certificação profissionalizante. Paralelamente, a Prefeitura mantém a campanha de arrecadação de materiais têxteis até a mesma data. Os pontos de entrega são: Aeroporto, shoppings Paralela, Barra, Salvador, da Bahia e Itaigara, Novohotel Salvador e órgãos da Prefeitura, onde servidores podem doar os uniformes da Operação Carnaval.
Segundo o secretário da Secis, Ivan Euler, a iniciativa insere os materiais no ciclo da economia circular, evitando o descarte e transformando-os em matéria-prima para novos produtos. Além de beneficiar pessoas em situação de rua, as alunas poderão usar o aprendizado para gerar renda.
Moradora de Paripe, Solange Almeida Louvo, 57 anos, destacou o valor da capacitação: “É maravilhoso poder transformar em artigos úteis os abadás e camisas que seriam descartados. É gratificante criar peças novas que vão ajudar quem precisa”.
Janaína Araújo, 30 anos, também aprovou o projeto: “Achei incrível porque o abadá é uma camisa e, a partir dele, conseguimos produzir bolsas e cobertores. Ficou excelente!”.
O curso inclui noções de controle de qualidade e precificação, reforçando o viés empreendedor. Para Vanda Souza, diretora da Refoliar, o projeto atua com base em três pilares: ambiental, social e econômico. “Começamos com campanhas de doação no pós-Carnaval. A parceria com a Secis é fundamental para dar novo destino a esses materiais”, afirmou.
Ela ainda ressalta que o resíduo têxtil está entre os maiores poluentes do mundo. “Não existe solução para grandes volumes, mas vamos fazendo aos poucos com a costura. Nada é jogado fora. Com esse tecido, elas aprendem a se tornar artesãs e empreendedoras, garantindo renda”, concluiu.