Entrevistas


20 Set 2018

João Roma revela sua trajetória e opiniões sobre a campanha eleitoral de 2018

João Roma revela sua trajetória e opiniões sobre a campanha eleitoral de 2018 Candidato a deputado federal na Bahia, João Roma esteve, nesta quinta-feira(20), em nossa redação, no Caminho das Árvores, onde participou de uma sabatina, revelando suas opiniões sobre diversos assuntos - dos corriqueiros aos polêmicos e também pessoais, além dos detalhes da sua trajetória na política. Confiram:

Alô Alô Bahia: Quando houve o start de você querer ser candidato? Já que até então sua história era na gestão na Prefeitura de Salvador...

João Roma: Eu sempre tive muito motivado pela política. Por participar de alguma forma, não só da vida social, mas dos acontecimentos da nossa sociedade, estar sempre engajado tentando transformar as coisas, tentando dar minha contribuição, o fato ocorreu de forma que não foi bem uma decisão exclusivamente minha, não tinha essa aspiração, mas foi uma movimentação política, que foi decorrente de alguns fatos. O primeiro foi o intenso trabalho que realizamos na prefeitura de Salvador ao lado do prefeito ACM Neto desde 2013, quando ele me chamou pra ser seu Chefe de Gabinete e quis fazer um governo de proximidade, quis fazer das ruas o melhor gabinete, o que é uma coisa muito fácil de falar, mas difícil de fazer. No ano de 2016, ACM Neto me viu como uma das possíveis opções para ser o seu vice prefeito. Foi nesse período que me filiei ao PRB, já que não dá pra ter prefeito e vice-prefeito do mesmo partido.

Alô Alô Bahia: Você tem uma ligação história com o Democratas...

João Roma:
Sim, apesar da minha ligação tão histórica, tão ideológica, e por caminhada de toda a vida no Democratas, onde fui até fundador, primeiro presidente da sua Juventude, onde rodei os 27 estados do país estruturando essa bandeira partidária, ingressei então no PRB. Fui aí então em 2016 que saí dos bastidores para de fato me posicionar sobre alguns temas especialmente relacionados à cidade de Salvador. Isso foi tendo a aceitação de vários setores populares, assim como a legitimidade de toda a equipe que nós formamos, e houve um maior engajamento com a minha pessoa na Prefeitura de Salvador. Aí de fato começou a se legitimar o personagem político, e tanto é que quase que acontecia da escolha derivar para o meu nome naquela eleição, mas conclui-se a articulação em torno do nome de Bruno Reis, para vice prefeito de ACM Neto, e já na sequência, todos esses setores, começaram de fato a pedir uma participação mais efetiva minha na política. 



Alô Alô Bahia: Era um desejo seu que isso acontecesse? Você planejou isso? 

João Roma: Apesar de sempre me sentir motivado em participar da política e sempre ter tido muita sensibilidade para as movimentações políticas do Brasil, isso não passava pela minha cabeça no início da gestão do prefeito ACM Neto, uma vez que como eu não era baiano de nascença, eu não vislumbrava disputar um mandato aqui. Eu não imaginava que eu seria não só tão bem aceito como legitimado e alçado à figura de porta voz de tantas pessoas num momento que começamos a nos pronunciar e sobretudo a dar resultado na melhoria da vida das pessoas que mais precisam na nossa cidade, então apesar de sempre ter tido essa vocação e essa ligação tão estreita com a política não passava pela minha cabeça no início da gestão, vir a ser... disputar um mandato eletivo aqui na Bahia, porque eu tinha um certo recalque por essa questão da origem

Alô Alô Bahia: E você  recebeu até o Título de Cidadão Soteropolitano...

João Roma:
Essa coisa foi superada não só pelo título que recebi na Câmara Municipal de Salvador mas sobretudo pela percepção e pela aceitação das pessoas em torno da minha trajetória, em torno do meu nome. As pessoas viram que eu efetivamente não só escolhi Salvador para ser a minha casa, mas aqui constituí família, aqui passei a me dedicar, evoluir enquanto pessoa, então tudo isso foi muito bem percebido pela população e isso de alguma forma, eu não vejo em nenhum lugar que eu caminhe, nenhum traço de rejeição ou de antagonismo em relação à minha trajetória em virtude desta origem, pelo contrário, encontro pessoas que se entusiasmam até por eu ter escolhido não apenas por uma imposição do destino, mas por tá aqui escolhendo por amor, por ocasião e por dedicação, certo de estar transformando  a realidade deste local. 



Alô Alô Bahia: Se eleito, quais serão as suas bandeiras? 

João Roma:
A primeira função de um deputado federal não é ser o mais competente do mundo, nem o mais destacado dentro do Congresso Nacional, mas sim que ele possa efetivamente representar as pessoas que lhe elegeram. O deputado federal é o representante do povo brasileiro, e o que eu vejo hoje é que além de uma crise política e uma crise econômica, nós temos uma crise de representatividade. As pessoas não se sentem representadas no Congresso Nacional. Quando se liga a TV, além de só encontrarmos escândalos, o que se vê, são pessoas que falam e parecem que estão falando outro idioma, não estão falando a realidade que está nas ruas do Brasil. 

Alô Alô Bahia:Você trabalhou na linha de frente de muitas campanhas pra diversos candidatos de todas as instâncias. Houve uma mudança muito grande nesse processo. Hoje há muitas restrições. Como você vislumbra esse cenário de campanha eleitoral hoje?

João Roma:
Eu vislumbro com muita preocupação. Uma vez que a sensação que eu tenho é de que a legislação atual, ela foi fruto de um Congresso acuado e feito refém dos seus próprios vícios, então algumas coisas que eram avanços para um sistema político, um sistema eleitoral adequado que de fato possa se representar um avanço da sociedade e de fato estabelecer uma democracia representativa, eu acho que tivemos alguns recuos, com por exemplo, as doações legais de campanha. Sendo feito de forma transparente, é muito melhor para o cidadão, saber quem são os apoiadores de um determinado candidato e de acordo com isso traçar um perfil a eleger. Visou-se fazer uma campanha mais curta e assim com menos despesa, e com isso criou-se uma disfunção, onde os novos candidatos tem muito menos tempo de aparecer perante à população e isso beneficia os candidatos que já estão colocados no Congresso Nacional e que já tem uma exposição midiática do seu mandato. Então, assim está colocado o processo eleitoral no Brasil, cada vez mais restrito não só a verdadeira renovação na política, como ao encontro com os eleitores.

Alô Alô Bahia:Você está fazendo uma campanha muito voltada ao encontro com a população. Qual o sentimento que você tem absolvido das ruas? 

João Roma:
Estou adorando! Fico muito feliz quando tenho a oportunidade de conversar com as pessoas, e isso tem sido um norte da minha vida, o que tem me dado boas experiências, porque o contato com outras pessoas sempre abre horizontes, sempre há algo a aprender com alguém. Abrimos esse canal de comunicação, não só através de meios digitais, mas sobretudo indo para a rua. Não temos grandes comícios, não temos atividades circenses, mas temos buscado muito o contato com as pessoas e temos feitos diversas reuniões, na busca, inclusive, de resgatar o que tem de verdadeiro na política. Precisamos mudar a política, e mudar a política não é apenas tirar um deputado mais velho para colocar um deputado mais novo, tirar uma camisa vermelha para colocar uma camisa azul, mudar a política é mudar a forma de fazer política e mudar a forma de pedir o voto. 

Alô Alô Bahia: Muito se fala de que você é o candidato favorito do prefeito ACM Neto. Como lida com isso? 

João Roma:
Eu acho ótimo! Acho que é totalmente natural e legítimo uma vez que eu tenho uma relação muito forte com o prefeito ACM Neto. Em 2002 quando dei a notícia que estava vindo morar na Bahia para assumir um cargo federal, ele disse que seria muito bem vindo. Disse que a melhor notícia do dia era a eleição dele para deputado federal, mas que a minha vinda para a Bahia era a segunda melhor notícia que ele tinha recebido. Aqui me estabeleci, aqui as coisas avançaram. Foi num aniversário dele que eu conheci Roberta, em 2003, como quem hoje eu sou casado e tenho dois filhos, e segui ao lado dele durante momentos muito difíceis, especialmente, em 2006 quando perdeu-se a eleição do governo do estado da Bahia e em 2007, quando houve o falecimento do Senador Antônio Carlos Magalhães. Então, hoje minha candidatura tem a preferência do coração do prefeito, pelos gestos, pelo carinho com que ele trata, e sobretudo, porque é uma candidatura porta-voz de todos os avanços que a cidade de Salvador obteve nos últimos 5 anos e meio.
 
Alô Alô Bahia: Você falou de Roberta Roma, sua esposa, e eu queria que você falasse um pouquinho sobre o papel dela na sua campanha...

João Roma: 
Quando eu conheci Roberta, assim como eu, ela já era militante na política. Ela já tinha uma experiência na política, porque ela já em 2002, já participava da campanha do então deputado federal ACM Neto. De lá pra cá, não me recordo de uma eleição que Roberta não tenha participado de alguma forma, não só na torcida como com alguma atividade neste sentido. Na minha campanha eu tenho o engajamento pleno da minha família, até dos meus filhos que tem pouca idade e isso traduz muito o que somos, por que nós somos gente de verdade, nos temos todos os defeitos e qualidades. Então o papel de Roberta tem sido essencial, com muito talento, ela chegou a desenvolver, inclusive, o primeiro jingle da nossa campanha que é o "Modo João Roma ativado", um sucesso total e que tem tido muita adesão, mas não só nessa parte artística como na parte administrativa, onde ela é criteriosa, e tem também contribuído muito nos bastidores, conversando com as pessoas. Ela, como eu disse, é uma pessoa de proximidade. 

Alô Alô Bahia: Como é que você lida com as críticas vindas tanto da oposição como das pessoas que estão na sua coligação?

João Roma:
As pessoas dizem que de fato eu tenho um estômago muito forte, que eu suporto muito bem as críticas, e por natureza, busco ter um espírito muito conciliador. Sempre busco entender uma fragilidade, entender algumas defesas, que as pessoas podem estar recorrendo perante a um sentimento de ameaça ou até mesmo perante a inovação. É muito natural que na política exista muito jogo baixo, muita covardia, mas nós temos que não só falar mas sobretudo dar o exemplo. Não é fácil exercer uma atividade de liderança, as pessoas costumam dizer que o político no Brasil é o reflexo da sociedade, coisa que eu discordo; eu acho que o político tem que ser, sobretudo a vanguarda da sociedade, até porque se ele se propõe a ser um líder político ele tem que também dar o exemplo e mostrar para onde essa sociedade tem que rumar. Então, são as vezes situações que maltratam e que abala um pouco a nossa alegria, mas nós temos que saber superar e muitas vezes orientar, tentar dar outros exemplos que mostrem as pessoas que estamos todos na mesma caminhada. 


Fotos: Elias Dantas. Siga o insta @sitealoalobahia.