Projeto de lei quer reconhecer Ofício das Baianas de Acarajé como patrimônio cultural de Salvador

Projeto de lei quer reconhecer Ofício das Baianas de Acarajé como patrimônio cultural de Salvador

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Ministério da Cultura / Divulgação

Publicado em 05/11/2026 às 12:01

O Ofício das Baianas de Acarajé poderá ser reconhecido oficialmente como Patrimônio Imaterial, Cultural e Histórico de Salvador. Um projeto de lei apresentado pelo vereador Sílvio Humberto (PL nº 297/2026) na Câmara Municipal propõe conferir o título à atividade, considerada uma das principais expressões da identidade cultural da capital baiana.

A proposta, datada de 27 de outubro, busca reconhecer não apenas a preparação e a comercialização do acarajé, mas também os conhecimentos tradicionais, a indumentária, os tabuleiros, a religiosidade e os saberes transmitidos entre gerações.

O texto destaca a contribuição histórica das mulheres negras para a formação social, cultural e econômica de Salvador, especialmente por meio de uma tradição que atravessa séculos e permanece presente nas ruas, praças, mercados e festas populares da cidade.

Segundo a justificativa do projeto, o ofício ultrapassa a dimensão gastronômica e representa uma manifestação cultural associada à ancestralidade africana, à autonomia econômica feminina e à preservação de práticas religiosas e comunitárias.

Reconhecimento nacional e estadual

O Ofício das Baianas de Acarajé já possui reconhecimento como patrimônio cultural nas esferas federal e estadual.

Em 14 de janeiro de 2005, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou a atividade no Livro de Registro dos Saberes, conferindo-lhe o título de Patrimônio Cultural do Brasil. O reconhecimento foi revalidado em dezembro de 2022.

Na Bahia, o ofício foi reconhecido como patrimônio imaterial por meio do Decreto Estadual nº 14.191, de 26 de outubro de 2012, com registro no Livro do Registro Especial dos Saberes e Modos de Fazer.

A proposta apresentada na Câmara busca ampliar esse reconhecimento para a esfera municipal, reforçando a importância das baianas de acarajé para a preservação da memória e da identidade de Salvador.

Tradição, cultura e geração de renda

Além do valor histórico e religioso, o projeto ressalta a contribuição das baianas de acarajé para a economia popular, o empreendedorismo feminino, o turismo e a gastronomia tradicional.

A atividade está historicamente ligada à trajetória de mulheres negras, escravizadas e libertas, que encontraram no comércio de alimentos uma forma de sustento e autonomia financeira.

O texto também contempla elementos característicos do ofício, como as saias, batas, panos da costa, turbantes e tabuleiros, além das técnicas de preparo do acarajé, do abará e de outras comidas tradicionais.

Caso seja aprovado e sancionado, o projeto estabelecerá o reconhecimento legislativo municipal do Ofício das Baianas de Acarajé como patrimônio cultural, histórico e imaterial de Salvador, respeitando as atribuições dos órgãos responsáveis pelos procedimentos de registro e preservação do patrimônio.

 

 

 

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia