A Justiça Federal autorizou a família de Tancredo Neves a acessar documentos sigilosos sobre a internação e a morte do ex-presidente eleito, ocorrida em 21 de abril de 1985. A decisão unânime do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) determina que o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF) liberem prontuários médicos, a relação dos profissionais envolvidos no atendimento e outros registros.
A medida busca esclarecer suspeitas de possíveis erros médicos durante o tratamento. Tancredo foi internado na véspera da posse presidencial, em março de 1985, com um quadro de diverticulite, e morreu cerca de um mês depois, após passar por uma cirurgia de emergência e sofrer complicações.
A família tenta obter os documentos desde 2010, mas os pedidos haviam sido negados com base no sigilo médico. Entre os questionamentos estão a necessidade da cirurgia de emergência, os procedimentos adotados durante a operação e possíveis falhas na recuperação. Médicos envolvidos no atendimento também receberam uma advertência do CRM-DF, cujo motivo ainda não foi esclarecido.
A decisão pode ajudar a esclarecer as circunstâncias do tratamento de Tancredo, cuja morte impediu que ele assumisse a Presidência da República após a eleição indireta de 1985. Com isso, o vice José Sarney tomou posse e conduziu o país durante o início da redemocratização.