O ator e diretor amazonense Matheus Domingues Sabbá morreu nesta quarta-feira (28), aos 30 anos. A notícia foi divulgada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas e mobilizou homenagens de instituições e profissionais das artes cênicas. Com uma trajetória dedicada ao teatro musical e à ópera, ele participou de produções no estado natal e levou seu trabalho a palcos de outras regiões do país. A causa da morte não foi informada.
Natural de Manaus e formado em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Matheus começou a estudar teatro aos nove anos. Ao longo de uma década na Companhia de Teatro Metamorfose, participou de espetáculos como “Chapeuzinho Amarelo”, de Chico Buarque. Também aperfeiçoou sua formação em musicais no projeto Broadway Brasil, em Fortaleza, e integrou produções do Festival Amazonas de Ópera e apresentações natalinas promovidas pelo governo estadual.
Um de seus trabalhos mais recentes foi a direção de cena de “Onheama”, de João Guilherme Ripper, apresentada em janeiro deste ano no Festival Internacional de Música de Santa Catarina (Femusc), em Jaraguá do Sul. A montagem reuniu mais de 80 artistas e marcou a primeira vez que uma ópera brasileira ocupou o posto de destaque central da programação. Inspirada na mitologia amazônica, a obra aborda ancestralidade e pertencimento. Na versão dirigida por Sabbá, o protagonista foi transformado em uma jovem guerreira indígena, dando ênfase à força das mulheres da região.
No teatro musical, o diretor também esteve à frente de “A Caixa Mágica do Natal”, encenado no Teatro Amazonas. O espetáculo conquistou três categorias do Prêmio Cenym de Teatro Nacional, incluindo figurino e maquiagem, e venceu a categoria Musical Norte do Prêmio Brasil Musical, por votação popular. A produção conta a história de uma criança que, após perder a mãe, reencontra o sentido do Natal ao mergulhar nas memórias da família.
A morte provocou manifestações de pesar no Amazonas e em Santa Catarina, onde Matheus também havia trabalhado na montagem de “Madama Butterfly”, em 2025. A Federação de Teatro do Amazonas destacou sua contribuição para o fortalecimento da cena local, enquanto o diretor artístico do Femusc, Alex Klein, ressaltou a criatividade e a capacidade de liderança do colega. “O Brasil perdeu um gênio, cuja genialidade estava só começando a se revelar”, afirmou.