A disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais foi marcada por uma intensa mobilização nas redes sociais. Em entrevista ao Estúdio i, comandado por Andreia Sadi, o deputado federal André Janones contou os bastidores da criação do canal “Exército do Lula”, grupo que começou pequeno e ganhou milhões de integrantes durante a reta final da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Janones, a iniciativa surgiu ainda em abril, quando ele criou um grupo restrito para reunir apoiadores e pessoas próximas a Lula. A estrutura começou com algumas centenas de participantes, mas ganhou uma nova dimensão à medida que a campanha avançou.
A estratégia passou a ser ampliada especialmente durante a disputa pelo segundo turno. Janones adotou uma linguagem de mobilização para estimular a participação dos apoiadores e passou a chamar os integrantes do grupo de “soldados”.
“Como a gente está numa guerra, vamos encarar como uma guerra… Todo mundo que entrar lá vai ser soldado”, explicou.
O crescimento foi acelerado após o primeiro turno. Ao fim da primeira etapa da eleição, o canal reunia cerca de 53 mil pessoas. No dia seguinte à votação, Janones estabeleceu uma meta de chegar a 500 mil integrantes até 12 de outubro. A marca, no entanto, foi alcançada antes do prazo previsto, à meia-noite do mesmo dia.
Na sequência, o deputado dobrou o objetivo para 1 milhão de participantes. Segundo ele, a nova meta foi atingida em apenas 12 horas. O canal continuou crescendo até chegar à marca de 3 milhões de inscritos, quando, de acordo com Janones, passou a iniciar efetivamente suas atividades.
Janones critica estratégia digital da campanha
Durante a entrevista, o deputado também fez uma avaliação sobre a comunicação da campanha de Lula e afirmou que o grupo político demorou a perceber o peso das redes sociais na disputa eleitoral.
“Eu acho que nunca levou muito a sério a comunicação nas redes sociais. Eu acho que eles demoraram a entender que as eleições se passam pelas redes”, afirmou.
Para Janones, a comunicação política atual não pode mais separar televisão, portais de notícias e redes sociais. Na avaliação dele, os diferentes meios funcionam de maneira integrada, com conteúdos que circulam entre as plataformas e influenciam o debate público.
“A TV aberta, a TV por assinatura, vocês pautam as redes, as redes pautam vocês… A gente já fez essa revolução no digital”, declarou.
Segundo turno teve forte disputa nas redes
A mobilização digital ganhou ainda mais importância no segundo turno, quando a eleição presidencial ficou concentrada na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Com uma diferença menor de votos em relação ao primeiro turno, as campanhas intensificaram a busca por eleitores indecisos e ampliaram a produção de conteúdo para redes sociais e aplicativos de mensagens.
Nesse cenário, grupos de apoiadores passaram a desempenhar um papel estratégico na circulação de vídeos, mensagens e materiais de campanha. O “Exército do Lula” surgiu justamente dentro dessa lógica de mobilização em larga escala, transformando um grupo inicialmente restrito em uma estrutura com milhões de participantes.
Para Janones, o crescimento do canal mostrou como a comunicação política mudou e como a mobilização espontânea ou organizada de apoiadores pode alcançar uma dimensão que ultrapassa os meios tradicionais de campanha.
A experiência também reforçou uma tendência que ganhou força nas eleições brasileiras: a disputa pelo voto acontece não apenas no horário eleitoral e nos grandes veículos de comunicação, mas também em grupos, canais e comunidades digitais, onde mensagens podem alcançar milhares de pessoas em poucos minutos.