Aos 39 anos, ex-aluno doa rim e salva a vida de professora: ‘Anjo na terra’

Aos 39 anos, ex-aluno doa rim e salva a vida de professora: ‘Anjo na terra’

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 19/10/2026 às 12:18

A notícia de que sua antiga professora precisava de um transplante levou Ali Dawson, hoje com 39 anos, a tomar uma decisão que mudaria a vida dos dois. Depois de descobrir pelas redes sociais que Sonia Leonardo enfrentava uma grave doença renal, o ex-aluno se ofereceu para doar um dos rins. Os exames confirmaram a compatibilidade e o transplante foi realizado em 30 de maio de 2017, no Guy’s Hospital, em Londres, na Inglaterra.

Sonia, natural de Portugal, havia sido diagnosticada com doença renal policística, condição hereditária que provoca o surgimento de cistos nos rins e pode comprometer o funcionamento dos órgãos. Em 2016, o quadro se agravou rapidamente e ela precisou iniciar diálise várias vezes ao dia. Como não tinha familiares ou amigos compatíveis para a doação, entrou na lista de espera por um órgão de um doador falecido. “A situação evoluiu muito rápido para insuficiência renal. É muito difícil lidar com a realidade, você chora porque é difícil aceitar isso. Eu pensava que isso era algo que eu enfrentaria aos 60 anos, não antes dos 40”, lembrou a professora.

Ali havia conhecido Sonia anos antes, quando estudava radiografia no King’s College Hospital. Por volta de 2010, ela foi responsável por sua formação na área e, segundo o ex-aluno, se tornou a melhor professora que já teve. O contato entre os dois havia diminuído ao longo dos anos, mas uma publicação feita pela irmã de Sonia no Facebook revelou a Ali a situação enfrentada pela antiga professora. Ele entrou em contato para saber como ela estava e perguntou se ela já havia encontrado um doador. Ao ouvir que ainda aguardava um transplante, ofereceu um dos próprios rins.

Sonia ficou inicialmente surpresa e tentou recusar a oferta porque considerava Ali muito jovem para enfrentar uma cirurgia daquele porte. Ele, porém, manteve a decisão de ajudá-la. Os dois tinham sangue do tipo O e Ali passou pelos exames necessários para verificar a compatibilidade. “Os médicos disseram que ficaram surpresos com a nossa compatibilidade. Ela é de Portugal e eu sou do Irã, e normalmente, pessoas da mesma etnia são mais compatíveis”, contou.

A cirurgia foi bem-sucedida, Sonia recuperou a função dos rins e deixou de depender da diálise. Como forma de carinho, ela deu ao órgão transplantado o apelido de “Mini Ali”. “Ali é um anjo na Terra. Tive muita sorte de ter Ali na minha vida. Eu não estaria onde estou hoje sem ele. Ele fez uma diferença enorme na minha vida. Devo tudo a ele”, afirmou a professora. A relação entre os dois também continuou depois do transplante. Ali passou a atuar na conscientização sobre a doação de órgãos em vida e, em 2023, recebeu um prêmio da Sociedade Britânica de Transplantes pelo trabalho voluntário na área.

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